A história de uma família da Bolívia que superou a dor

  • 09/12/2016
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  • Saúde

Esta instituição ajuda familías e pessoas em seus momentos mais dificeis. 


Meiba, 30 anos, e seu marido, Armin, 34 anos, são bolivianos e decidiram vir para o Brasil em 2013. O objetivo foi o de investir em uma pós-graduação e se capacitar para melhores condições de trabalho, uma vez que têm o apoio da irmã de Melba, que mora no país há muitos anos. O casal aventurou-se no país desconhecido ainda durante a primeira gestação de Melba, que logo deu à luz Armelly, na cidade de São Paulo.


Apesar de todos os desafios, conseguiram emprego de professores de língua, mas logo veio a segunda filha tão esperada, que nasceu em 2014. A chegada da caçulinha disparou na família momentos de muita angústia, pois um diagnóstico delicado passou a ser realidade. A nenê nasceu com má formação genética e broncoespasmo, o que fez com que ela passasse mais tempo internada do que em casa.


A família passou a viver momentos críticos, de grande dificuldade financeira, uma vez que Melba precisou parar de trabalhar e Armin teve boa parte do seu salário prejudicado, devido às constantes internações da filha. Em meio a essa situação, foram encaminhados à Associação Saúde Criança,  em Janeiro de 2015, onde passaram a receber apoio da equipe multiprofissional.


Na assistência social, foram orientado quanto aos benefícios de direito. Na pedagogia, tiveram amparo na inserção de Armelly na escola e receberam orientações sobre a dificuldade da adaptação. Com a profissional de nutrição, puderam olhar para o próprio corpo em meio ao desgaste vivido.


Beneficiaram-se também das orientações da área da renda para otimizar despesas e recursos. Melba foi encaminhada para o projeto Atelier, um dos projetos da Associação, e passou a desenvolver produtos de artesanato e costura que, ao mesmo tempo, ajudavam-na na garantia de uma renda e também a elevar sua autoestima e exercer novas atividades. Já na psicologia, construíram um espaço de elaboração diante da intensidade das emoções da vividas.


Ao longo da passagem da família pela Saúde Criança, o quadro de saúde da filha caçula do casal piorou significamente. E no dia 10 de maio de 2016, após a morte cerebral, com 1 ano e 9 meses, ela veio a falecer. A familia viveu um momento de muita dor e precisou de ajuda para que a despedida da filha se tornasse possível. O luto silenciou a todos e, neste momento, o trabalho realizado pelo projeto primeira infância foi fundamental para que Melba e Armin conseguissem comunicar a filha mais velha do casal. Além disso, Melba passou a se vincular de forma mais intensa ao projeto Atelier e, por meio de sua arte, ia tecendo sentidos diante da morte.


Viajar de volta para a Bolívia é hoje o plano da família. Mas a ideia é rever os familiares e renovar energias para seguir com os projetos no Brasil. Além de Melba continuar sua frutifera produção no Atelier, hoje o casal pretente finalmente levar adiante a concretização da tão sonhada pós-graduação. E ambos sentem-se fortalecidos para o início de uma nova etapa.


Além disso, Melba tem o sonho de poder participar de outros projetos para ajudar outras familias como a dela, o que já está em discussão para o próximo ano. Em um dos seus trabalhos, Melba bordou com muita delicadeza trigos para lenços do Atelier. O trigo representa o renascimento e a sabedoria dos ciclos de vida, e hoje a arte a ajuda na busca destes sentidos.


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