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Saúde

De mãe para filho: a ciência tem mostrado que problemas de saúde são repassados ao feto

22/10/2019

A obesidade infantil é um mal preocupante no mundo e não se deve apenas à alimentação inadequada desde a primeira infância da criança, os maus hábitos alimentares da mãe podem influenciar no comportamento dos genes da criança.

Para que se fale em obesidade, é importante compreender sobre o hormônio leptina. De acordo com o estudo Obesidade induzida por consumo de dieta: modelo em roedores para o estudo dos distúrbios relacionados com a obesidade, a leptina está relacionada com a redução do apetite que ocorre por meio da inibição da formação dos neuropeptídeos, que estão ligados ao apetite. A pesquisa foi realizada com grupos de ratos, nos ratos obesos que foram tratados com a leptina, a ingestão alimentar foi reduzida e houve perda de peso. Em indivíduos obesos, os níveis de leptina encontram-se muito elevados. 

A pediatra e endocrinologista infantil, Andreza Juliani, explica que dentre os inúmeros estudos realizados com ratos, houve um em que a análise consistiu em um macerado dos hipotálamos e em teste com a leptina com uma solução de soro fisiológico, este teste foi realizado com dois grupos: ratos que nasceram de mães obesas e ratos que nasceram de mães com peso adequado. Quando os cientistas colocavam a leptina em contato com os bebês nascidos de mães de peso adequado,  estes filhos apresentavam maior sensibilidade ao hormônio, já o outro grupo não respondia bem ao tratamento. Este resultado se relaciona com o fato de que pessoas ingerem maior quantidade de calorias porque não apresentam sensação de saciedade normal:

“Na gestação, se a mulher ganha peso inadequado, a criança terá consequências na saciedade e no ganho de peso, o que pode ocasionar a obesidade e as doenças crônicas na vida adulta. Um outro trabalho mostrou que um outro hormônio, a adiponectina, também sofreu alterações dentre os ratos nascidos de mães obesas, o que comprova que a dieta inadequada traz consequências metabólicas para a criança.”

A especialista explica que o comportamento da epigenética (do que é transmitido ao feto), difere quando feita a comparação entre ratos por sexo, a epigenética é mais transmitida para os machos do que para as fêmeas, assim como na fase adulta, os machos apresentaram maior ganho de peso e maior índice de gordura corporal.

A médica conta que outro estudo foi feito com mães que tinham diabetes na gestação, e os cientistas perceberam de acordo com um estudo de leucócitos (células de defesa do corpo) e com o estudo de cromossomos que havia importantes alterações nas crianças:

“Na ponta dos cromossomos, há uma região conhecida como telômero, e o telômero conforme a pessoa vai ficando mais velha, vai se tornando mais encurtado, com alterações de estrutura e esse estudo mostrou que os filhos que nasciam de mães diabéticas já nasciam com o telômero encurtado, o que aumentava o risco do desenvolvimento de várias doenças.”

O estudo Disfunção Endotelial no Diabetes Melitus, explica que alterações na vasodilatação endotélio-dependente ocorre em diferentes leitos vasculares de animais diabéticos, o que possui estreita ligação com o surgimento de problemas cardiovasculares em crianças que foram gestadas por mães diabéticas que não se submetiam ao devido tratamento do problema.

A pediatra esclarece que um estudo recente em que mães durante a gestação ingeriram quantidade maior de gorduras, mostrou que não apenas o nível de insulina aumentou, mas ocorria defeito na sinalização dessa alteração:

“Se a gente come algo com açúcar, a glicose sinaliza para o nosso corpo produzir a insulina, que é fundamental para absorver o açúcar no sangue, o excesso de insulina pode evoluir para um quadro de diabetes tipo 2, então é importante discutir porque isso ocorre nos filhos de mães diabéticas.”

A médica acrescenta que quando a insulina se liga à célula e faz a sinalização de que está precisando levar a glicose para alguma parte do corpo, não consegue de fato concluir a sinalização, é como tentar encaixar a chave numa porta e não funcionar: “O que se percebe em todos esses estudos é que existem muitas coisas que se precisa estudar e muitas coisas que ainda não se sabe”.

Repensar os próprios hábitos alimentares é essencial para garantir a saúde da criança e mesmo que já se esteja em período gestacional, nunca é tarde para corrigir o que está errado com a dieta e com a saúde.

Leia também: A alimentação na gestação pode influenciar alterações nos genes da criança



 

 

 

Dra. Andreza Juliani – Pediatra e endocrinologista infantil
Fanpage: www.facebook.com/DRAANDREZAJULIANIGILIO
Site: www.doutoraandreza.com.br

 

 


Fontes

Congresso de Alimentação e Hábitos Saudáveis na Infância.

Obesidade induzida por consumo de dieta: modelo em roedores para o estudo dos distúrbios relacionados com a obesidade. Realizado por: Tiago Campos Rosini; Adelino Sanchez Ramos da Silva; Camila de Moraes: www.scielo.br/pdf/ramb/v58n3/v58n3a21.pdf

Disfunção Endotelial no Diabetes Melitus. Realizado por: Beatriz G. Seligman; Nadine Clausell: departamentos.cardiol.br/dha/revista/6-3/012.pdf

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