Terapia por Telefone É Eficaz Contra a Depressão


Consultas por telefone são mais acessíveis aos pacientes, mas os melhores benefícios a longo prazo são obtidos em consultas cara a cara.

 Este é um estudo que vai irritar uma vez mais os partidários da psicanálise tradicional. Sabe-se que as terapias comportamentais e cognitivas (TCC) tratam a depressão e limitam os riscos de recaída – e tanto mais conforme são associados a um tratamento medicamentoso. Pesquisadores da universidade de Northwestern, em Chicago, mostram atualmente que estas terapias são seguidas mais de perto quando elas são administradas por telefone.
 
“Na sua prática cotidiana, os médicos constatam que a metade dos pacientes abandona o tratamento antes do fim, nota a equipe americana. A falta de tempo, de dinheiro ou de meios de transporte são citados como principais obstáculos”. Para medir a taxa de adesão aos TCC, os cientistas propuseram à 325 pacientes moderadamente deprimidos um ciclo de 18 seções com médicos gerais formados especialmente para esta circunstância. Os doentes foram divididos em dois grupos; o primeiro seguiu o tratamento unicamente por telefone, enquanto o outro realizou o tratamento de uma maneira mais clássica, “cara a cara”. Resultados: 20% dos doentes do primeiro grupo jogaram a toalha antes do fim, contra 32% do segundo grupo.
 
Nos dois grupos, o estado dos pacientes sofreu progressos importantes, relata também o estudo no Jornal da Associação Médica Americana. Esse benefício é superior, seis meses depois do tratamento, para os pacientes que tiveram contato com o médico. Assim, a presença física do terapeuta parece dar ao paciente uma maior capacidade de se desvencilhar da depressão após o fim das consultas.
 
Para os pesquisadores, o telefone permanece apesar de tudo, um meio de tratar os pacientes que não podem e não desejam se deslocar. A depressão permanece uma doença física muito espalhada, que provoca idéias sombrias, uma perda de energia, de vontade e de prazer, um temor no futuro, uma tristeza, etc. Ela é frequentemente associada a uma angústia e com problemas do sono. Segundo o instituto nacional de prevenção e de educação para a saúde, 8% dos Franceses de 15 à 75 anos (aproximadamente 3 milhões de pessoas) conheceram uma depressão durante um ano corrido e 19% viveram a depressão ao curso de sua vida.
 
Para o Dr. Nicolas Neveux, psiquiatra em Paris, um exame clínico é indispensável antes de toda terapia. Não pode ser substituído pelo telefone. “Um grande número de informações passam pela comunicação não verbal, como as entonações ou o olhar, explica ele. Vendo o paciente, pode-se também diagnosticar um hipotiroidismo, que é causado por várias depressões.