Terapia genética contra a dor


Novo método pode revolucionar o tratamento da dor crônica

 

Ainda em fase de teste nos Estados Unidos, um novo método poderá revolucionar o tratamento da dor crônica. O Departamento de Neurologia da Universidade de Michigan está conduzindo as primeiras aplicações em seres humanos de um procedimento baseado na terapia genética. Os voluntários são pacientes com dores agudas constantes causadas por câncer. Eles estão recebendo injeções sob a pele de um composto contendo um gene, o PENK, responsável pela produção de encefalina – um dos opioides naturalmente fabricados pelo corpo e que tem efeito analgésico. Nos testes até agora, os pacientes que receberam altas doses obtiveram uma redução da dor de até 80%. 

 
Trata-se de um resultado promissor, especialmente por trazer esperança aos portadores de dor de origem neurológica, que são as mais difíceis de tratar, segundo especialistas. O método abre uma nova frente de tratamento, com potencial para eliminar a necessidade do uso de analgésicos, que  têm efeitos colaterais. A terapia gênica daria condições ao organismo de produzir os opioides necessários para bloquear a sensação dolorosa. 

Outra vantagem é a atuação da terapia apenas sobre o alvo. Enquanto o medicamento comum percorre um longo caminho até a origem da dor, o gene injetado age diretamente sobre as células nervosas. Isso é possível porque ele é levado até elas por um vírus, o da herpes simples. Porém, para o procedimento, o vírus passa por modificações e passa a ser um ótimo veículo, carregando o gene certo para o lugar certo, sem oferecer ameaça à saúde.  
 
Na fase anterior, de testes em animais, o método mostrou-se eficiente também em casos de dor crônica causada por lesão dos nervos e inflamações, além de câncer. A equipe americana pretende, até o fim do ano, ter em mãos os resultados da segunda fase dos estudos clínicos – na qual compara-se um grupo medicado com placebo a outro que recebeu a terapia. 
 
Tratar a dor crônica é um dos maiores desafios atuais da medicina. No Brasil, calcula-se que uma a cada três pessoas sofra com o problema.

 

Autor:  Agência Comunicado

Fonte:  IstoÉ