Tentativa de vender medicamentos fracionados é falha


Não há obrigatoriedade desse tipo de apresentação

Apesar da vigência de um decreto federal, há cinco anos, autorizando a venda de medicamentos fracionados, o consumidor ainda enfrenta problemas para conseguir comprar um remédio na quantidade exata prescrita para o seu tratamento. Um levantamento feito pelo jornal Gazeta do Povo mostra que menos de 10% das farmácias de Curitiba têm algum remédio fracionado disponível.

Os fracionados foram criados como alternativa para garantir o acesso mais barato da população à saúde. No entanto, os laboratórios não produzem, os médicos não receitam, as farmácias não vendem e o consumidor continua obrigado a comprar caixas fechadas de remédios, acima da quantidade necessária.

De acordo com os órgãos de defesa do consumidor, é possível economizar até 30% ao se adquirir a quantidade estritamente necessária do remédio prevista em um tratamento. Estima-se que o brasileiro jogue fora, todos os anos, o equivalente a R$ 9 bilhões em medicamentos que não são utilizados.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 20 laboratórios no país têm registro para produzir quase 200 tipos de medicamentos fracionados, em mais de 750 apresentações. Mas, das 50 farmácias pesquisadas em Curitiba, apenas quatro vendem medicamentos fracionados. Em todas elas, o medicamento é do mesmo laboratório, sendo que três estabelecimentos têm somente o antibiótico azitromicina e apenas uma farmácia tem oito variedades de remédios fracionados.

Representantes do varejo farmacêutico justificam a ausência dos fracionados por não haver a obrigatoriedade na venda desse tipo de apresentação. Outro fator impeditivo seriam os custos para oferecer o medicamento nessas condições, já que a venda fracionada exige investimentos em infraestrutura, sistemas de controle e armazenamento. Para a indústria farmacêutica, a produção dos medicamentos fracionados depende de questões mercadológicas e da existência de um sistema de vigilância sanitária eficaz no país.

O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma) – entidade que concentra 80% do setor produtivo nacional –, afirma que, em termos econômicos, o fracionamento não avança porque não há demanda suficiente para alavancar o mercado e incentivar os altos investimentos necessários (estimados em R$ 500 mil para cada linha de produção). Já do ponto de vista sanitário, o Sindicato argumenta que, sem o controle adequado, o fracionamento pode representar um risco à saúde da população, podendo estimular a automedicação e facilitar a introdução no mercado de produtos falsificados.

Autor:        Agência Comunicado

Fonte:        Gazeta do Povo - Curitiba