Seu filho é alérgico ao leite de vaca? Saiba o que fazer


Alergista esclarece sobre o tratamento do problema

No artigo britânico Alergia alimentar em Bebês e Crianças, é enfatizado o aumento de casos de alergia nos últimos 40 anos, com destaque para as doenças alérgicas como asma, eczema e febre do feno, problema mais recorrente em países ocidentais. Junto à epidemia de doenças alérgicas, também houve aumento de casos de alergias alimentares. O artigo salienta que nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, o número de crianças alérgicas ao ovo, leite ou nozes, só tem aumentado. 

O mesmo artigo destaca que algumas alergias alimentares são fáceis de detectar, já que basta que o alimento seja ingerido (costuma ocorrer na primeira ou segunda ingestão), pode surgir erupção cutânea, geralmente em torno da boca, assim como pode haver inchaço na região facial, corrimento nasal e prurido, vômitos, entre outros sintomas. Já em casos de reações graves, pode ocorrer dificuldades para respirar, e aí é fundamental que a criança seja encaminhada imediatamente a um pronto-socorro. 

A alergista e imunologista, Priscilla Filippo, esclarece que crianças com alergia ao leite de vaca (que costuma ser a alergia mais comum na infância), têm uma taxa de remissão (de cura) de 85% a 90% até os três anos de idade, mas há casos em que a doença pode persistir. Em casos de crianças com alergia ao ovo, 65% poderão tolerar o alimento por volta dos cinco anos de idade.

No artigo americano Fatos e Estatísticas, é enfatizado que pesquisadores estimam que 15 milhões de americanos têm alergias alimentares, e de que essa doença potencialmente mortal acomete 1 a cada 13 crianças e de que em cada sala de aula, pelo menos 2 crianças são alérgicas. Nos Estados Unidos, o gasto com alergias alimentares é de aproximadamente 25 bilhões de dólares por ano.

 

                                                                ALERGIA ALIMENTAR: LEITE DE VACA

 

A alergista explica que a alergia alimentar ocorre após o contato com o alimento, mas que para o desenvolvimento da alergia, ocorre prévia sensibilização: “Quando a pessoa ingerir o alimento pela segunda, terceira... décima vez, o organismo apresentará resposta exagerada por meio do sistema de defesa, levando às manifestações clínicas. O tratamento da alergia alimentar é retirar o alimento da dieta”.

O artigo britânico O meu filho tem alergia ao leite de vaca? explica que os sintomas de alergia ao leite de vaca podem surgir imediatamente ou podem ser tardios, assim que o bebê é exposto à proteína do leite de vaca. Pode ocorrer cólica, surgimento de erupções na pele, refluxo e diarréia. Em caso de suspeita, é primordial levar a criança imediatamente ao médico para averiguar. 

A especialista esclarece que o tratamento da alergia alimentar é retirar o alérgeno (no caso, leite de vaca e seus derivados) da dieta alimentar.

“Se a criança tem menos de seis meses e está em aleitamento materno exclusivo, a mãe tem que fazer uma dieta de exclusão de leite de vaca e derivados e manter a amamentação. Se a criança for menor de seis meses, sem aleitamento materno, devem-se usar fórmulas infantis extensamente hidrolisadas ou fórmulas de aminoácidos, conforme orientação médica”, explica.

O artigo Sobre Alergia ao Leite, esclarece que o desenvolvimento desta alergia está intimamente ligado com fatores genéticos e de que tipicamente a alergia pode durar de 3 a 5 anos de idade, mas pode haver persistência após essa faixa etária.

A especialista alerta que as crianças devem sempre ser acompanhadas por um médico para devida orientação e conduta e de que os leites de cabra e de ovelha não devem ser utilizados como substitutos para o leite de vaca, já que também têm alto teor de proteínas, similares ao leite de vaca. 

“A introdução de outros alimentos em crianças com alergia à proteína do leite de vaca deve seguir os mesmos passos recomendados para crianças saudáveis a partir do sexto mês, em crianças amamentadas ao seio materno ou que recebem fórmulas infantis. Deve-se evitar apenas a introdução de dois ou mais alimentos de fontes proteicas ao mesmo tempo”, explica.

O mais importante é ficar atento aos sinais emitidos pelo corpo do seu filho (a), em caso de qualquer anormalidade, procure o pediatra, para posterior indicação de um médico alergista. 

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Dra. Priscilla Filippo – Especialista em Alergia e Imunologia pela Associação Médica Brasileira e Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, e em Pediatria pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Pediatria.
Site: www.priscillafilippo.com.br
Fanpage: www.facebook.com/Dra-Priscilla-Filippo-1712433762359559

 


Fontes

Food Allergy in Babies and Children (Alergia alimentar em Bebês e Crianças). Allergy UK: www.allergyuk.org/childhood-food-allergy/food-allergy-in-babies-and-children

Facts and Statistics (Fatos e Estatísticas). FARE Food Allergy Research & Education (Alergia Alimentar Pesquisa e Educação): www.foodallergy.org/facts-and-stats

Does my child have cows’ milk allergy? (O meu filho tem alergia ao leite de vaca?) Allergy UK: www.allergyuk.org/advice-for-parents-with-a-new-baby/is-my-child-allergic-to-cow-s-milk-protein

About milk allergy (Sobre Alergia ao Leite). Kids Health (Saúde Infantil): kidshealth.org/en/parents/milk-allergy.html

Daiana Barasa