Saiba como identificar os sintomas da doença do refluxo gastroesofágico


DRGE é causada pelo retorno do conteúdo intragástrico do estômago para o esôfago e deve ser tratada

O refluxo gastroesofágico pode ser uma manifestação fisiológica esporádica decorrente da ingestão de alimentos gordurosos, condimentados ou gasosos. Podem ocorrer azia e queimação depois de exagerar na feijoada ou nas bebidas alcoólicas. Para uma porcentagem da população, porém, o mal é crônico e passa a atingir as mucosas do esôfago, o pulmão, a traqueia e a faringe, provocando sintomas que comprometem bastante a qualidade de vida. Dos problemas que levam os brasileiros a procurarem especialistas nas disfunções do aparelho digestivo, a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é a mais comum e responde por pelo menos 60% dos atendimentos médicos da especialidade.

A DRGE é causada pelo retorno do conteúdo intragástrico do estômago para o esôfago. Essa movimentação é reflexo do mau funcionamento da válvula que divide os dois órgãos. Denominado esfíncter inferior, ele abre-se para o alimento chegar ao estômago e fecha-se fortemente para que o ácido que ajuda na digestão não faça o caminho contrário.

A DRGE é também a patologia do aparelho digestivo com maior diversidade de manifestações, sendo capaz de gerar desde desgaste acelerado do esmalte dentário, mau hálito e sensação de boca amarga até pigarro, tosse seca, engasgo, rouquidão, agravamento de laringite, faringite e pneumonia. Arrotos, azia e queimação são apenas os sintomas mais comuns. É claro que nem todas as vítimas da DRGE sentem tamanha variedade de sintomas, mas isso demonstra a necessidade de médicos de outras áreas estarem atentos aos sinais da doença, principalmente os otorrinolaringologistas, cardiologistas e pediatras.

Depois de confirmado o diagnóstico por exames, o tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico, dependendo do caso. A mucosa do esôfago dos que sofrem com o refluxo gastroesofágico apresenta queimaduras e lesões devido à acidez do conteúdo intragástrico. A laringe também apresenta inflamação característica, que sugere a DRGE. A hérnia de hiato, protusão do estômago no esôfago, é, ainda, uma causa do refluxo, pois impede o fechamento do esfíncter.

Em alguns casos, é possível controlar os danos com dieta adequada e medicamentos inibidores de ácidos. A obesidade e a constipação intestinal são fatores de risco, tanto que a incidência da doença do refluxo aumenta à medida que a quantidade de obesos no país cresce.

Evitar comidas gordurosas, frituras, bebidas gasosas, cafeína e tabaco é fundamental no tratamento. É maléfico também se deitar logo após as refeições.


O procedimento cirúrgico é realmente o último recurso terapêutico. O índice de sucesso é muito bom, mas o paciente deve fazer a sua parte, observando a questão da boa alimentação e o controle do peso para evitar o retorno da doença.

Autor: Agência Comunicado

Fonte: Correio Braziliense