Radiação médica: o diagnóstico que pode virar câncer


A área da tireóide costuma ser a mais afetada por meio da tomografia computadorizada

Você poderia imaginar que um exame com a finalidade de detectar uma doença, poderia com o decorrer dos anos, provocar um problema de saúde como o câncer? Os riscos da radiação médica emitida por exames radiológicos já são conhecidos nos Estados Unidos, onde os índices de câncer de tireóide decorrente de exames como a tomografia computadorizada só aumentam. 

A médica, especialista internacional em Ultrassonografia, Lucy Kerr, explica que a tomografia computadorizada é o aparelho que emite a maior carga de radioatividade e que um terço de todos os exames de tomografia computadorizada são realizados na cabeça e no pescoço, onde está localizada a glândula tireóide:

“No pescoço, portanto, quanto você faz uma tomografia do crânio, está afetando e muito a tireóide com a radiação. E se por acaso, essa tomografia utilizar o iodo, o efeito para a tireóide vai ser ainda pior, porque há uma captação seletiva do iodo para a glândula tireoidiana, porque ela funciona à base do iodo.”

A especialista alerta para o dilema que tem sido pesquisado ao redor do mundo, de que um diagnóstico pode se transformar em câncer e de que o efeito da radiação não evapora, se a pessoa nunca mais se submetesse a nenhum exame com carga radioativa e não tivesse nenhuma complicação na saúde, o efeito dessa radiação recebida levaria pelo menos quarenta anos para diminuir significativamente: “Mas o mais frequentemente aceito é que pelo resto da vida, você pode ter efeitos da radiação que ao ser recebida pelo seu organismo, pode produzir uma mutação, e essas somatórias de radiação podem ter também um efeito propiciador na formação do câncer”.

No artigo científico Tomografia computadorizada e risco de câncer, é explicado que alguns tecidos são mais sensíveis aos efeitos da radiação ionizante e de que os cânceres de tireóide, mama, pulmão, cólon, pele e até mesmo leucemia, podem ser resultado da exposição à radiação. O artigo também esclarece que as áreas afetadas de maneira direta pela radiação são as mais propensas ao desenvolvimento futuro de um câncer.

A médica explica que além de causar mutação celular, estudos científicos têm mostrado que a exposição à radiação pode alterar a imunidade natural, fazendo com que o organismo não consiga se defender das células cancerígenas à medida que se formam: 

“Para prevenir o câncer, se utilizar de um método que provoca o câncer, é um absurdo. Eu sou a favor da redução e até mesmo da abolição da realização de exames radiológicos, como é o caso também da mamografia.”

A especialista destaca que no ano de 2006, 67 milhões de exames de tomografia computadorizada (TC) foram realizados nos EUA, já a mamografia e o raio X de tórax, costumam ser realizados em check-ups anuais de rotina, e mesmo que não tenham uma carga tão alta de radiação quanto o exame TC, são realizados anualmente e levam à acumulação de danos:

“Nós temos um alerta, do FDA - Food and Drug Administration, um órgão nos Estados Unidos que representa a Anvisa que temos no Brasil, contra a tomografia computadorizada, e o Brasil não tem nenhuma estatística sobre a situação da radiação médica no país. E aqui há uma recomendação de se fazer mamografia semestral.”

O estudo Alterações tireoidianas associadas à radiação externa em crianças e adolescentes, destaca os riscos oferecidos pela exposição à radiação por meio da tomografia computadorizada e alerta que a utilização deste tipo de exame em larga escala, pode ser considerado um problema de saúde pública, já que propicia, principalmente, o surgimento do câncer de tireóide.

A recomendação da especialista Lucy Kerr, é de que proteções sejam utilizadas para cobrir a região cervical ou a região que será exposta, sempre que um exame absolutamente necessário for indicado:

“Então o ideal é evitar e se tiver que fazer o exame, proteger essas regiões, o que a gente chama de blindagem total. Sempre que fizer a tomografia computadorizada, o ideal seria questionar se realmente é necessária. Mas a cultura brasileira nesse sentido dos riscos da radiação é bem deficiente e dificilmente alguém faria qualquer questionamento.”

De acordo com o artigo Câncer de Tireóide: tratamento, o método da terapêutica antiangiogênica costuma ser utilizado com a finalidade de bloquear a formação de novos vasos sanguíneos, impedindo o crescimento das células tumorais. O medicamento apresentado como o mais utilizado para esse fim é o sorafenibe. Mas o medicamento sunitinibe também é apresentado com a mesma finalidade.

Mas lembre-se: Medicamentos só podem ser utilizados sob prescrição médica.


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Dra. Lucy Kerr – Médica formada pela USP, especialista em Ultrassonografia. Reconhecida como Ultrassonografista pela Sociedade Brasileira de Ultrassonografia (SBUS); é especialista internacional na mesma área pela Federação Internacional das Sociedades de Ultrassonografia da América Latina (FISUSAL). Também possui título internacional pela American Register of Diagnostic Medical Sonography (ARDMS), nos EUA.
Pioneira na área de Ultrassonografia no Brasil, assim como é pioneira na introdução dos exames Doppler e Elastografia. É uma especialista em constante atividade de pesquisa e que procura sempre novas metodologias que poderão fazer a diferença na obtenção de diagnósticos e na Medicina em um âmbito geral.

Site: www.portallucykerr.com

 


FONTES

CONASAÚDE. Congresso Nacional de Saúde.

Tomografia computadorizada e risco de câncer. Instituto Nacional de Câncer. Escrito por: Ronaldo Corrêa Ferreira da Silva: www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/740a09004f9218968a1bae81a5313a21/12_artigo.pdf?MOD=AJPERES

Alterações tireoidianas associadas à radiação externa em crianças e adolescentes. Realizado por: Cassiane Cardoso Bonato; Regina Helena Elnecave: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000600002

Câncer de Tireóide: tratamento. Instituto Vencer o Câncer: www.vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-tireoide-tipos-de-cancer/tratamento-20/

 

Daiana Barasa