Quais são os tratamentos em casos de linfoma?


Entenda a diferença entre LNH (linfoma não-Hodgkin) e LH (linfoma de Hodgkin)


Depois da exposição do ator Edson Celulari sobre a doença linfoma não-Hodgkin, muitas pessoas têm procurado saber sobre do que se trata o problema.

Há dois tipos de linfomas: LNH (linfoma não-Hodgkin) e LH (linfoma de Hodgkin), ambos com inúmeras variações da doença.

Segundo o artigo ABHH esclarece: linfoma de Hodgkin é altamente tratável e curável, este tipo de linfoma possui índice de remissão (cura) entre 80% e 90%. É caracterizado por tumores maiores e o LH foi o primeiro dos tumores sólidos a ser curado de forma consistente na história da Oncologia, tanto que até mesmo em casos avançados da doença, as taxas de cura deste tipo de linfoma chegam a 80%.

De acordo com o artigo Linfoma Não-Hodgkin de Alto Grau – Revisão de Literatura, o LNH é mais grave do que o LH e é a quarta neoplasia mais incidentes nos Estados Unidos, é também a nona causa de morte por câncer entre o público masculino e a sétima entre o público feminino. Este tipo de linfoma pode ser indolente ou agressivo, sendo que a última classificação apresenta tumoração de crescimento rápido, o que pode levar pessoas que sofrem da doença a óbito dentro de semanas.

 

                                E QUANTO AOS TRATAMENTOS DE LINFOMA?

 

O onco-hematologista e membro da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Celso Massumoto, explica que dentre as modalidades de tratamento da doença está a radioterapia, que utiliza radiações ionizantes através de fonte externa ou interna para destruição ou diminuição do crescimento das células tumorais.O especialista acrescenta que a radiação afeta o material genético das células tumorais atingindo o mecanismo de divisão celular:

“Pode ser utilizada isoladamente ou associada à quimioterapia. Apesar do planejamento cuidadoso, a radiação pode atingir tecidos adjacentes, causando efeitos adversos como queimaduras de pele, boca seca, feridas na boca (mucosite), dificuldade de deglutição, náuseas, diarréia, dor para urinar, diminuição das células sanguíneas, dependendo da área irradiada.”

 

                               SOBRE O TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA

 

O onco-hematologista explica que o transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) é outra modalidade de tratamento contra a doença. Este tratamento demanda quimioterapia em altas doces, combinadas ou não com a radioterapia, o intuito do tratamento é a intensificação para a eliminação das células tumorais.

Segundo o médico, o transplante costuma ser utilizado em pacientes com LH e LNH agressivo, em casos de recidiva (reaparecimento) e em casos de refratariedade. 

O especialista explica que um dos maiores avanços no tratamento de linfoma não-Hodgkin nos últimos anos foi o desenvolvimento de anticorpos monoclonais, como uma espécie de imunoterapia. Os anticorpos monoclonais são agentes desenvolvidos com ação específica direcionada contra os marcadores das células tumorais, com efeito parecido com uma “arma teleguiada” se comparada à quimioterapia convencional que é conhecida como “bomba com efeito de massa”:

“Quando ligados aos antígenos específicos, podem provocar um processo de autodestruição, conhecido como apoptose ou também podem funcionar como sinalizadores para o ataque e destruição por outras células do sistema imunológico, e pelo chamado sistema de complemento, cuja ação culmina com a perfuração da membrana celular e destruição da célula tumoral.”

O onco-hematologista destaca que os anticorpos monoclonais apresentam a vantagem da alta eficácia com mínima toxicidade às outras células do organismo. O especialista destaca que o primeiro anticorpo monoclonal desenvolvido para o tratamento do câncer foi o rituximabe, dirigido contra o marcador CD20 encontrados nos linfócitos B, o que leva ao aumento da curabilidade em casos de linfomas agressivos e o tempo de remissão em casos de linfomas indolentes: “Em geral é administrado em combinação com a quimioterapia, porém também pode ser aplicado isoladamente em intervalos semanais ou a cada três meses”.

 

              E QUANTO ÀS DROGAS QUE AGEM COMO INIBIDORES DE PROTEASSOMA?

 

O especialista destaca que o bortezomide é o primeiro representante de uma nova classe de drogas classifidas como inibidores de proteassoma. E o que são proteassomas?

“Proteassomas são estruturas presentes dentro da célula, responsáveis pela degradação de proteínas envolvidas em vários mecanismos de controle das células, inclusive a apoptose (morte celular programada). O bortezomibe apresenta importante atividade antitumoral e pró-apoptótica a alguns tipos de tumores hematológicos, inibindo o mecanismo do fator nuclear B”, explica o médico.

O especialista destaca que em casos de linfoma de Hodgkin, uma nova droga foi aprovada no final de 2014, trata-se da substância brentuximabe, que é um anticorpo monoclonal antiCD30 específico pata o antígeno tumoral: “Esse medicamento dotado de baixa toxicidade é indicado para pacientes que falharam em um primeiro tratamento ou para pacientes que voltaram a ter a doença após o transplante autólogo de medula óssea”.

Logo após o diagnóstico da doença, é fundamental seguir disciplinadamente o tratamento e o mais importante é não perder a esperança e vontade de vencer a doença.

Leia também: Entenda sobre o linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não-Hodgkin


 

Dr. Celso Massumoto (CRM 48392) - Diretor clínico da Oncocenter, coordenador de transplante de medula óssea do Hospital Nove de Julho e membro da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale).

 

 

 

Fontes

ABHH esclarece: linfoma de Hodgkin é altamente tratável e curável. ABHH – Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular: www.abhh.org.br/imprensa/abhh-esclarece-linfoma-de-hodgkin-e-altamente-tratavel-e-curavel-2

Linfoma Não-Hodgkin de Alto Grau – Revisão de Literatura. INCA. Realizado por: Luiz Henrique de Lima Araújo (et. al.): www.inca.gov.br/rbc/n_54/v02/pdf/revisao_5_pag_175a183.pdf

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Daiana Barasa