Quais são os remédios mais recentes para tratar o diabetes?


Hoje é possível encontrar uma variedade de insulinas e medicamentos orais

Entre os pacientes que possuem diabetes a insulina torna-se parte da rotina. Ainda existem alguns receios em torno da medicação, principalmente ao se tratar da insulina injetável. No entanto, com o avanço da medicina as injeções estão cada vez mais finas e menores, o que diminui o incômodo. As primeiras insulinas criadas eram de origem animal. 

A endocrinologista, Dra. Marcia Scolfaro, informa que a primeira insulina testada em humanos, em torno de 1922 tinha aplicação dolorosa e causou infecções e abscessos entre os pacientes. “Ainda assim salvou a vida de muitas pessoas naquela época”, acrescenta. Leia também: A Empagliflozina está entre as principais drogas utilizadas no tratamento da Diabetes tipo 2

Com a invenção da primeira insulina de origem animal inúmeras pessoas tiveram a oportunidade de sobreviver após o diagnostico do diabetes, doença que na época possuía causas desconhecidas e que era motivo de intensa investigação entre os médicos, químicos e cientistas. A insulina que conhecemos hoje foi anunciada em  1980 quando o bioquímico Frederick Sanger desvendou a estrutura dos aminoácidos e possibilitou a criação da insulina humana. Este feito lhe trouxe o premio Nobel. 

“Em ordem cronológica, as insulinas evoluíram sempre com o objetivo de imitar o melhor possível a dinâmica da insulina humana normal. Hoje temos insulinas ultrarrápidas e ultralentas em formas de canetas descartáveis e com menores agulhas de aplicação, facilitando a posologia e aderência ao tratamento”, esclarece. 

Veja alguns avanços ao se tratar da evolução da insulina ao decorrer dos anos:

Insulina bovina e suína: essas opções exigiam uma grande quantidade de insulina e era aplicada várias vezes durante o dia. Os pacientes apresentavam reações, como alergias e abcessos na pele, além do conteúdo apresentar impurezas desapropriadas ao organismo humano. Muitos portadores possuíam anticorpos contra a ação da insulina animal, o que dificultava o tratamento. 

O tipo 2 do Diabetes compreende 90% do total de casos da doença

Insulina regular: também conhecida como insulina humana foi a substância mais próxima aos compostos da insulina produzida no corpo humano. Atualmente, esse tipo de insulina é desenvolvido em laboratório a partir da tecnologia de DNA recombinante. 

Insulina (NPH): possui ação intermediária e um pouco mais lenta ao ser comparada com a insulina regular. É composta por uma substância chamada protamina que retarda a liberação insulínica até a região sanguínea.

Insulina detemir: de ação prolongada tem o propósito de aumentar a ação insulínica na região sanguínea.  Sua absorção é lenta e gradativa, ideal para evitar picos glicêmicos. Seu uso também está relacionado ao menor aumento de peso, quando comparado à insulina (NPH). 

Por que a Empagliflozina é importante aliada no tratamento da Diabetes tipo 2?

Insulina Toujeo: a insulina basal foi lançada pela Sanofi e autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2015. O princípio ativo é a glargina. Pode ser aplicada entre os pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e 2 atuando no organismo por até 24 horas. Estudos sugerem que o uso da insulina toujeo diminuiu os índices de hipoglicemia em pacientes com diabetes tipo 2. 

Remédios orais para o tratamento da diabetes

Não só as insulinas receberam inovações para o tratamento da diabetes. Hoje é possível encontrar algumas opções de medicamentos orais, como o Jardiance (empagliflozina). A medicação é considerada um inibidor do SGLT-2, enzima do rim que é bloqueada pelo remédio e possibilita a eliminação renal de glicose. 

“Essa medicação só tem efeito quando a glicose, ou açúcar, se encontra em excesso ou acima do normal no sangue (glicemia alta).  Outros inibidores de SGLT-2 do mercado são: dapaglifozina (forxiga), canaglifozina (Invokanna)”, ressalta a médica. 

Estudos apontam os benefícios dos inibidores para o emagrecimento, todavia em indivíduos que não possuem nível elevado de glicose na região sanguínea não apresentarão perda de peso, visto que não há insulina para eliminar.  Saiba mais: Medicamentos que atuam nas funções renais são novas apostas para tratar a diabetes tipo 2

“Este grupo de fármaco elimina açúcar pela urina, portanto os pacientes apresentam perda de peso, por volta de 3 a 4 Kg, efeito desejável por muitos diabéticos do tipo 2 que possuem excesso de peso, embora a sua indicação não seja somente para esse fim”, orienta. 

O inibidor SGLT-2 além de contribuir no controle da glicose na região sanguínea e prevenir a hipoglicemia, atua no controle da pressão arterial, como apontam os estudos e testes realizados com a medicação. A endocrinologista pontua que a substância também auxilia numa melhor taxa de filtração glomerular (funções renais). “Estudos também sugerem que os inibidores melhoram o mecanismo de aterogênese e contribuem para diminuição da mortalidade cardiovascular (infarto e derrame), que constitui a principal causa de mortalidade neste grupo de doentes (diabéticos tipo 2)”, ressalta. 
 

Participação da endorcrinologista, Dra. Marcia Scolfaro

Professora do curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic - Campinas

 

Referências: 

http://www.endocrino.org.br/historia-do-diabetes/

Juliana Rodrigues