Quais os tratamentos para a obesidade infantil?


Compreenda porque a prevenção é o melhor caminho contra este mal na infância

Há muitos anos, uma criança rechonchuda era sinônimo de saúde, mas hoje sabe-se que a obesidade infantil é uma realidade e que pode afetar diversas áreas da saúde.

A pediatra e endocrinologista infantil, Andreza Juliani, alerta que muitas crianças acima do peso já apresentam níveis pressóricos elevados, diabetes, distúrbios do sono que levam a um aumento na gordura cervical, o que pode levar à obstrução das vias aéreas durante o sono, o que faz com que a criança durma e tenha até mesmo o rendimento escolar comprometido, por conta da sonolência diurna:

“Além disso, tem toda a parte ortopédica, alterações de desvios, dores nos joelhos, há casos que evoluem para uma puberdade precoce, por conta da obesidade. Há casos de alterações psicológicas também, em que a pessoa na escola fica mais retraída e isso se transforma em um ciclo, a criança acima do peso já não quer brincar, já não consegue mais andar porque se torna mais cansada.”

De acordo com artigo publicado em 2014 pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), o número de crianças com sobrepeso e obesidade ao redor do mundo pode chegar a 75 milhões em 2025 — essa é uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A pediatra Andreza Juliani, esclarece que a obesidade gera problemas no corpo todo e que se a criança não for tratada, pode se tornar um adulto obeso e as complicações à saúde vão surgindo ao longo do tempo.

A médica explica que hoje em dia existe a opção dos tratamentos medicamentosos, mas infelizmente, os resultados entre as crianças não costumam ser tão significativos quanto se espera: “Há a Sibutramina, que inibe a recaptação de serotonina e de adrenalina, o que aumenta o gasto energético e a saciedade”. A especialista acrescenta que essa substância só pode ser liberada a partir dos dezesseis anos de idade, o que quer dizer que antes disso, a criança acima do peso não poderia fazer a utilização do medicamento.

Outra medicação destacada pela especialista é o Orlistate, que já é liberado para crianças a partir de oito anos de idade, o único empecilho para a utilização são os efeitos colaterais. A substância libera uma enzima conhecida como lipase intestinal e o intestino acaba absorvendo menor quantidade de gorduras e essas gorduras são eliminadas por meio das fezes, o que pode gerar males como a diarreia e flatulência: “Se a criança ingerir grande quantidade de gorduras, pode surgir mal-estar, as crianças não gostam desse tratamento por conta das atividades como escola e podem se sentir constrangidas”.

Já a última opção de tratamento ressaltada pela pediatra são as cirurgias bariátricas, mas só podem ser liberadas a partir dos dezoito anos de idade: “A partir dos dezesseis anos pode ser liberada, mas em casos considerados muito graves, com um grau de obesidade avançado unido a outros problemas de saúde relacionados”.

A especialista explica que a obesidade infantil que pode chegar até a adolescência, é um mal difícil de ser tratado, porque nem todos os medicamentos são indicados. Por isso, o que o pediatra ou endocrinologista pode fazer nesses casos é orientar a parte comportamental e a dieta do paciente e ainda assim, pode ser que não se obtenha sucesso.

“É muito importante pensar sobre o porquê se fala tanto sobre a obesidade infantil. Um estudo realizado em 1998 (Bogalusa), mostrou que jovens de até 28 anos de idade, morreram por outras causas secundárias como acidentes, outros tipos de traumas (termo usado pelos especialistas), tinham as artérias (tanto a aorta quanto as coronárias) com estrias de gorduras, que já estavam presentes nessas pessoas desde muito novas, com dois, três anos de idade”, conta a especialista.

De acordo o artigo Síndrome metabólica em crianças e adolescentes, o estudo Bogalusa foi uma pesquisa realizada entre 1988 e 1996 e a avaliação foi feita com 4.522 pessoas com idade entre 5 e 38 anos. 

“Fala-se tanto sobre a obesidade na infância porque não é normal ter estrias de gorduras se não há nenhuma comorbidade (doença relacionada). Quanto mais fatores de risco uma pessoa tem, mais estrias de gorduras ela terá. Se a pessoa fuma, se tem diabetes, se tem hipertensão, entre outros problemas, quando chega à vida adulta, terá uma quantidade de gordura dentro dos vasos muito preocupante”, alerta a pediatra.

A especialista destaca que a única saída hoje para combater a obesidade na infância é a prevenção e que este mal também está relacionado com as propagandas, com a oferta de alimentos nocivos em supermercados, com alimentos nocivos na escola: 

“Esse é um problema mundial e que não se sabe como será no futuro. Se isso não for prevenido na infância, as crianças chegarão à adolescência obesas, não conseguirão reverter. Em torno de 60%, 70% dessas crianças que chegam à adolescência obesas, permanecerão obesas na vida adulta.”

A discussão em torno deste problema de saúde pública não pode parar.


Dra. Andreza Juliani – Pediatra e endocrinologista infantil 
Fanpage: www.facebook.com/DRAANDREZAJULIANIGILIO
Site: www.doutoraandreza.com.br


Fontes

Congresso de Alimentação e Hábitos Saudáveis na Infância.

Obesidade infantil pode atingir 75 milhões em 10 anos. Abeso: www.abeso.org.br/noticia/obesidade-infantil-pode-atingir-75-milhoes-em-10-anos

Síndrome metabólica em crianças e adolescentes. Realizado por: Ayrton Pires Brandão; Andréa Araújo Brandão; Gerald S. Berenson; Valentin Fuster: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2005001500001

Daiana Barasa