Por que as mães deixam de amamentar?


Posicionamento incorreto do bebê na hora da mamada e a desinformação são as principais causas

A primeira amamentação não é fácil, um momento em que as mães estão ansiosas e fragilizadas após o parto. Abandonar a amamentação nos primeiros meses de vida é uma situação recorrente por motivos de desconforto, pouco conhecimento sobre o aleitamento e implicações com a produção do leite.  

A revista britânica The Lancet analisou 153 países e conclui que investimentos em políticas e propostas para favorecer a amamentação acrescentariam em US$ 300 bilhões à economia mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima a redução da mortalidade infantil no Brasil em 20%, dado maior do que a média mundial e ao comparar com outros países, como Estados Unidos, China e Reino Unido.

Em meio ao cenário político e econômico em que o Brasil se posiciona atualmente o apoio ao aleitamento materno traz vantagens e deve ser motivado na população. O pediatra Dr. Moises Chencinski é idealizador do movimento “Eu apoio o leite materno”:

“É um ato de produção natural e sem custo no momento em que a saúde de nossa economia e de nossa política carece de simplicidade”, completa o médico.

Para esclarecer sobre as possíveis causas que dificultam a amamentação o pediatra diz que o processo da produção do leite materno se inicia a partir do momento em que a mãe engravida e por meio das transformações hormonais.

O especialista ressalta que é de extrema importância realizar o acompanhamento pré-natal para orientar a respeito do tema e até mesmo a avaliação das mamas para detectar previamente possíveis riscos, como em casos de mamilo invertido ou mamoplastia redutora.

Ao se tratar do parto o pediatra comenta que independente da cirurgia cesariana, normal ou humanizado, é importante no momento da amamentação o apoio da equipe médica junto à mãe para orientar sobre as possíveis implicações e dificuldades.

“O apoio do governo, da sociedade, da família, da mídia, das redes sociais e dos profissionais de saúde, abrindo espaço para se falar abertamente e de forma simples e clara, sem preconceitos, a respeito do aleitamento pode criar condições mais favoráveis para a mudança desse panorama”, recomenda.

Ao se deparar com a dificuldade em amamentar a primeira consulta com o pediatra pode resolver e esclarecer os possíveis desconfortos da mãe: “Pegar o bebê de forma inadequada e posicionamento incorreto pode causar baixo ganho de peso, levando, por exemplo, a uma falsa impressão de “pouco leite” ou “leite fraco”, gerando a oferta de fórmulas infantis em mamadeiras que não devem ser uma decisão tão fácil como é nos dias de hoje”, adverte.

Por que amamentar é importante?

Insistir na amamentação é um ato essencial para saúde do bebê e até mesmo na prevenção de doenças crônicas epidêmicas que interferem a cada dia na saúde das crianças brasileiras, como a obesidade infantil. A vantagem de amamentar, segundo o médico, envolve qualidade de vida e prevenção contra diversas doenças, além de atuar também na área econômica e não necessitar do leite comercializado.

O pediatra comenta sobre as facilidades e melhorias que poderiam trazer as políticas e estratégias no estímulo do aleitamento materno e cita possíveis soluções: “Através de uma licença-maternidade de pelo menos seis meses para todas as mães, de uma licença-paternidade de pelo menos 30 dias para todos os pais, assim como as salas de apoio à amamentação nos locais de trabalho e a possibilidade de amamentação em púbico sem constrangimento em todo o país”, sugere. 

Referências:

http://www.unicef.org/brazil/pt/activities_10007.htm

http://www.brasil.gov.br/saude/2016/02/revista-britanica-diz-que-brasil-e-referencia-mundial-em-aleitamento-materno

 

Dr. Moises Chencinski é pediatra formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e idealizador do Movimento “EU APOIO LEITE MATERNO” (#euapoioleitematerno). Também é membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo e membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Juliana Rodrigues