Pesquisa mostra que é possível identificar o Alzheimer com décadas de antecedência


Estudo abre espaço para novas prevenções e terapias

Um estudo publicado nesta segunda-feira no jornal Translational Neuroscience e conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, nos Estados Unidos, descobriu que é possível identifica a doença de Alzheimer com décadas antes de ela começar a manifestar os primeiros sintomas. O achado oferece uma nova perspectiva para os tratamentos clínicos. 

 
Os médicos do centro médico descobriram que os pacientes com a doença têm níveis mais baixos de utilização de glicose no cérebro do que aqueles com funções cognitivas normais, e essa queda nos níveis pode ser identificada com até 20 anos de antecedência ao primeiro sintoma do Alzheimer. 
 
O estudo observou cobaias animais que foram geneticamente modificados para desenvolver a doença. Os pesquisadores descobriram que as mitocôndrias desses animais, responsáveis por transformar a glicose em energia, começavam a ficar defeituosas exatamente quando conseguiam detectar a presença da proteína beta-amilóide, associada à doença. Passado o equivalente a 20 anos humanos, os ratos com metabolismo energético comprometido começaram a apresentar os primeiros sintomas do Alzheimer, como a perda de memória e outros problemas cognitivos. 
 
Segundo os autores do estudo, a evidência nos ratos valida a teoria de que o diagnóstico do Alzheimer pode ser resultado de uma danificação na produção energética celular no cérebro. O fato de se poder identificar a debilitação das mitocôndrias tão cedo pode ser um grande passo no tratamento da doença. Os autores também enfatizam que a descoberta pode revolucionar a forma como os médicos intervém nos pacientes. O estudo abriria espaço para o desenvolvimento de novas prevenções e terapias para humanos visando a evitar um eventual aparecimento dos sintomas do Alzheimer, mesmo enquanto os pacientes têm todas as funções cognitivas normais.

 

Autor:  Agência Comunicado

Fonte:  Época