Parece depressão, mas não é: você precisa conhecer o que é o Sugar Blues


A Hipoglicemia pode gerar, inclusive, o sintoma da depressão

A depressão tem sido mencionada nos últimos anos como o mal do século. De acordo com matéria, publicada pelo portal da revista Isto É, mais de 350 milhões de pessoas sofrem com a doença, que de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é caracterizada pela falta de interesse, ausência de prazer, sentimento de culpa, perda da autoestima e a pessoa pode até mesmo vir a apresentar outros problemas como distúrbios do sono ou apetite. 

De acordo com a matéria, a OMS define a depressão como um transtorno mental comum, podendo ser de longa duração ou recorrente, a forma mais grave da doença pode levar até mesmo ao suicídio.

Mas talvez a complexidade em relação à essa doença se deva ao fato de que há outros males que também podem gerar os sintomas da depressão. Há, inclusive, a “Depressão Mascarada” que tem sido discutida nos últimos anos.

A psicoterapeuta, Marilena Henriques Teixeira Netto, autora no blog Artigos de Psicologia, esclarece que os sintomas da chamada “Depressão Mascarada” são: cansaço repentino, apatia, taquicardia, insônia, depressão, hipersensibilidade, choro por qualquer coisa, medo e, aparentemente, todas as reações ocorrem sem motivo: “Pensa-se, imediatamente, em depressão, devido aos sintomas e pode vir a ser medicado, equivocadamente, de forma fácil e direta:  antidepressivo e/ou ansiolítico. Isto será um ERRO!”.

O que muitas pessoas desconhecem é que os sintomas relacionados à depressão também podem estar presentes devido a um quadro de hipoglicemia.

O artigo Hipoglicemia Reativa, destaca que a conhecida hipoglicemia reativa ou funcional tem se tornado endêmica nos Estados Unidos e Brasil, o que é resultado do exagero no consumo de carboidratos refinados, com ênfase no consumo da farinha branca, açúcar e de alimentos processados.

Dentre os sintomas destacados no artigo estão: vontade exagerada pelo consumo de doces; vertigem, tontura; falta de energia; sensação de calor no corpo; irritabilidade; suor noturno; sono fora de hora; dor de cabeça logo ao levantar; diminuição da concentração, entre outros sintomas.

“Se esses sintomas levarem a um diagnóstico equivocado como sendo de uma depressão, a pessoa fatalmente entrará numa diabetes, o que será irreversível. A hipoglicemia pode ser facilmente revertida, simplesmente através da alimentação balanceada”, alerta a psicoterapeuta.

A especialista chama à atenção para um mal pouco conhecido no Brasil, trata-se do Sugar Blues. A psicoterapeuta explica que esse é o nome do livro escrito pelo pesquisador americano, William Dufty, que relata o processo de funcionamento do pâncreas a fim de metabolizar o açúcar ingerido.

A psicoterapeuta esclarece que quando o pâncreas recebe o açúcar ou carboidrato (batata, massa, pão branco, farinha, açúcar livre na forma de sorvete, refrigerante, chocolate, etc.), normalmente, dissolve esse açúcar lentamente, se seu funcionamento é normal:

“Numa disfunção, ao receber esse açúcar, o pâncreas imediatamente o consome devido a um hiperinsulinismo (produz um excesso de insulina). Caso a pessoa continue nessa voracidade, o pâncreas por cansaço para de trabalhar, de produzir insulina e de dissolver esse açúcar. A pessoa então entra numa diabetes e precisa tomar insulina.”

A especialista conta sua experiência com o sugar blues há 30 anos, em que passou a ingerir uma grande quantidade de açúcar livre e começou a padecer dos sintomas:

“Apesar de sentir sono à noite, a taquicardia era tão grande, pois meu pâncreas trabalhava rapidamente e continuamente por causa da ingestão de açúcar também contínua, que era impossível dormir. O choro sem motivo aparecia e eu tinha ciência de que não havia motivos para uma ‘depressão’.”

Foi assim que em busca de uma solução, a psicoterapeuta se consultou com um endocrinologista, que pediu, de imediato, um exame de curva glicêmica: “Com o resultado do exame, o médico foi taxativo: "Coitado do seu pâncreas, precisa descansar urgente ou você entra numa diabetes!".

E foi assim que a especialista fez alterações na dieta, substituindo o arroz branco por integral, o pão convencional pelo integral, aboliu o consumo do açúcar livre: “Em pouco tempo, tudo voltou ao normal!”.

O importante é sempre se informar sobre o assunto e em caso de sintomas anormais, vale também observar como tem sido os hábitos alimentares nos últimos anos, o que pode vir a gerar alterações comportamentais que podem remeter à depressão, quando na verdade, a raiz do problema é de origem física.


Marilena Henriques Teixeira Netto – Psicoterapeuta há mais de 30 anos, possui especialização em Psicoterapia Breve, linha Psicanalítica. A especialista formou-se e reside no Rio de Janeiro.
Site: artigosdepsicologia.wordpress.com


Fontes

Mais de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão no mundo. Isto é: istoe.com.br/244481_MAIS+DE+350+MILHOES+DE+PESSOAS+SOFREM+DE+DEPRESSAO+NO+MUNDO

Hipoglicemia Reativa. Realizado por: Prof. Dr. José de Felipe Júnior: www.luzimarteixeira.com.br/wp-content/uploads/2010/09/hipoglicemia-reativa.pdf

 

Daiana Barasa