O tipo 2 do Diabetes compreende 90% do total de casos da doença


Conheça importantes medidas e medicamentos para o tratamento

De acordo com o artigo científico Diabetes Mellitus, a doença se enquadra em epidemia mundial que desafia os sistemas de saúde em todo o mundo. 

De acordo com o Ministério da Saúde, o número de portadores da doença em todo mundo era de 177 milhões no ano 2000, com expectativa de que este número saltasse para 350 milhões de pessoas no ano de 2025. 

A diabetes tipo 1 era antes conhecida como diabetes juvenil e engloba cerca de 10% do total de casos, já a diabetes tipo 2, que antes era conhecida como diabetes do adulto, compreende 90% do total de casos. 

A médica especialista em Endocrinologia e Metabologia, Viviane de Oliveira, destaca que o diabetes é uma doença crônica metabólica caracterizada pelo aumento de glicose no sangue e explica sobre o diabetes tipo 2:

“O distúrbio acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir a insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo. A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está presente no sangue possa penetrar as células, para ser utilizado como fonte de energia.”

A especialista alerta que se a doença não for tratada pode vir a causar insuficiência renal, amputação de membros do corpo, cegueira, doenças cardiovasculares como AVC (derrame) e até mesmo o infarto.

Para o tratamento da doença, a endocrinologista ressalta a importância de que hábitos alimentares sejam mudados e de que as orientações médicas e nutricionais sejam seguidas: “É fundamental o acompanhamento conjunto com um nutricionista para que a equipe multidisciplinar possa ajudar no processo, orientando as melhores opções de alimentos”.

A médica destaca em relação à dieta que o açúcar branco refinado seja evitado e que seja substituído pela utilização de adoçantes. Carboidratos de alto índice glicêmico devem ser consumidos com parcimônia como é o caso da farinha branca, do arroz branco, pães tradicionais, entre outros:

“Resumidamente, índice glicêmico é o quanto aquele alimento é capaz de aumentar a sua glicose no sangue, e sempre quando há um pico de glicose, logo em seguida, ocorre o pico da insulina (hormônio produzido pelo pâncreas), para tentar controlar este aumento.”

A especialista também alerta sobre a importância de que exercícios físicos sejam praticados, 150 minutos por semana; de que a prescrição/receita médica seja seguida e de que a pessoa que está acima do peso ou em quadro de obesidade, tome atitudes para emagrecer.

De acordo com artigo publicado pela Sociedade Brasileira de Diabetes, o tratamento com a insulina deve se adequar ao estilo de vida e à necessidade da pessoa de controle de glicose. A paciência no momento da aplicação é fundamental já que nem sempre a pessoa consegue “acertar” a aplicação no primeiro momento.

Não existe uma dose única de insulina a ser ministrada por paciente. A endocrinologista explica que a dose é totalmente individual:

“Assim como tenho pacientes que usam doses menores que 10UI ao dia, tenho os que usam acima de 200UI ao dia. O limite daquela pessoa será o que foi orientado em receita. Ela não deve por conta própria aumentar a dose sem orientação, sob risco de hipoglicemia.”

Em artigo publicado pelo fabricante farmacêutico Boehringer Ingelheim, o medicamento Jardiance (empagliflozina) é apresentado como uma inovação no tratamento oral em casos de diabetes tipo 2. Os estudos clínicos com a substância contaram com mais de 15 mil pacientes com o diabetes tipo 2, de diversos países, incluindo o Brasil. A ingestão de 10mg a 25mg do medicamento uma vez ao dia, ocasionou em redução significativa da hemoglobina glicada (principal parâmetro para a análise do grau da diabetes).

A especialista Viviane de Oliveira, já receitou o medicamento e afirma ter obtido excelente resposta devido à utilização da substância empagliflozina, da mesma maneira como obteve bons resultados receitando outros medicamentos da mesma classe como a dapagliflozina e canagliflozina:

“Estes medicamentos são os chamados inibidores da SGLT-2. A sigla SGLT-2 faz referência ao nome em inglês de uma proteína encontrada nos nossos rins, que é alvo terapêutico desses novos remédios: o cotransportador sódio-glicose tipo 2. Essa proteína é responsável por reabsorver a glicose que é filtrada pelos rins antes que ela seja eliminada pela urina.”

A endocrinologista explica que as gliflozinas, como são conhecidos esses novos medicamentos, agem bloqueando o funcionamento desta proteína, o que resulta na eliminação de glicose pela urina: “No paciente diabético, este mecanismo é capaz de baixar os níveis de glicose no sangue independentemente da insulina”.

A saúde, sem dúvidas, é o bem mais precioso que uma pessoa possui. Cuide de si. Em sinal de anormalidade, procure auxílio médico. Em caso de diagnóstico de diabetes seja tipo 1 ou tipo 2, siga o tratamento conforme recomendado. Sua qualidade de vida agradece.



Dra. Viviane Christina de Oliveira – Médica Especialista em Endocrinologia e Metabologia. Formada pela Universidade de Joinville. Especialização em Endocrinologia e Metabologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Ciências Biomédicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Membro titulado da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Site: www.endoquali.com.br
Fanpage: www.facebook.com/endoquali.draviviane

 


Fontes

Diabetes Mellitus. Cadernos de Atenção Básica. Ministério da Saúde/ Secretaria de Atenção à Saúde/Departamento de Atenção Básica: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diabetes_mellitus.PDF

Insulina. Sociedade Brasileira de Diabetes: www.diabetes.org.br/para-o-publico/insulina

Tratamento para diabetes tipo 2 ganha reforço com a chegada de Jardiance. Boehringer Ingelheim: www.boehringer-ingelheim.com.br/news/clipping/tratamento_para_diabetestipo2ganhareforcocomachegada.html

 

 

Daiana Barasa