Novo teste para detectar a infecção do vírus Zika pode ficar pronto no próximo semestre


Trata-se do exame sorológico que detecta a presença dos anticorpos em resposta ao vírus


O Brasil tem enfrentado uma das maiores tensões no que se refere à saúde pública nos últimos anos. 

Estima-se que até o final do ano um novo tipo de exame possa fazer parte do setor de saúde pública no Brasil. A intenção é que um número maior de casos de microcefalia relacionados ao zika vírus possa ser revelado.

Foi informado pelo ex-presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, Wilson Savino, que hoje atua como imunologista no instituto Oswaldo Cruz, parceiro no Ministério da Saúde desde 2013, que o exame molecular, único exame disponível hoje para o diagnóstico do vírus zika, dificulta a precisão no diagnóstico, pois o vírus se manifesta no sangue e desaparece após alguns dias. O que está em fase de desenvolvimento no Brasil e que estará pronto no início do segundo semestre deste ano é o exame sorológico, que é capaz de ir em busca dos anticorpos produzidos contra o vírus, ainda que o mesmo não possa ser detectado na corrente sanguínea, o que facilita o diagnóstico.

De acordo com Savino, a maioria dos testes realizado em mulheres com sintomas do vírus zika não confirmou a presença do vírus. O imunologista acredita que com a implantação do exame sorológico, aumentará o número de casos da doença, o que pode impulsionar decisões mais ágeis para que seja reconhecida inclusive, que o Brasil vivencia uma epidemia que já foi mencionada em 2015.

Um dos problemas em torno do desenvolvimento do exame sorológico é que os anticorpos produzidos em respostas ao zika são semelhantes aos produzidos em reação à dengue, mas de acordo com Savino, ainda assim, há como realizar um teste simultâneo e descobrir por uma  espécie de “peneira” se realmente se trata do vírus zika.

Os sintomas da doença são: febre, vermelhidão e coceira na pele, dor nas articulações e conjuntivite.

Atualmente um laboratório alemão de nome Euroimmum afirma já ter disponível o exame sorológico, mas de acordo com o imunologista, o exame não conseguiria isolar e distinguir o vírus zika do vírus da dengue e por isso, não seria efetivo importar oo teste para o Brasil.

Para Savino, ninguém estava pronto para uma epidemia deste nível, mas segundo ele, o processo de desenvolvimento de métodos para controlar e caminhar para a descoberta de uma solução está seguindo num bom fluxo e o Brasil tem dado uma boa resposta.


Fonte: Entrevista de Wilson Savino, concedida na íntegra para a BBC Brasil.

 

Daiana Barasa