Novo medicamento para malária pode salvar cerca de 200 mil africanos por ano


Afirmação é da organização Médico Sem Fronteiras

O novo relatório “Fazendo a mudança”, da organização médico-humanitária Médicos Sem Fronteiras, diz que a substituição de Quinina por Artesunato no tratamento de crianças com malária grave pode evitar quase 200 mil mortes na África a cada ano. A organização pede aos governos de países africanos para que sigam as novas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e que os governos realizem essa transição rapidamente. Segundo a MSF, a OMS precisa desenvolver um plano para ajudar os países a fazer esta mudança.

Quando a OMS mudou sua recomendação de tratamento para casos de malária simples, em 2001, alguns países levaram anos para fazer a mudança, e, dez anos depois, ainda há lugares em que os remédios antigos são utilizados.

Muitas das crianças com malária grave chegam à clínica com convulsões, vomitando ou correm o risco de entrar em choque. A quinina tem sido usada por décadas para tratar a malária grave, mas o seu uso pode ser difícil e perigoso. É hora de acabar com a sua utilização. O artesunato é um remédio que pode salvar mais vidas, é mais seguro, mais fácil e mais eficaz.

A quinina deve ser administrada três vezes por dia, em um gotejamento intravenoso que leva quatro horas – um fardo para os pacientes e equipes médicas. O artesunato, por sua vez, pode ser administrado em apenas quatro minutos, pois o paciente recebe o medicamento através de uma injeção intravenosa ou intramuscular.

Um ensaio clínico realizado no final de 2010 concluiu que o uso do artesunato para tratar crianças com malária grave reduz o risco de morte em quatro vezes. O estudo, realizado em nove países africanos, concluiu que para cada 41 crianças que receberam artesunato em vez de quinina, uma vida a mais foi salva. A doença, em seu estado grave, mata mais de 600 mil crianças africanas com menos de cinco anos de idade por ano, de acordo com a organização. A cada ano, cerca de 8 milhões de casos de malária simples evoluem para o quadros graves, quando os pacientes começam a mostrar sinais de danos nos órgãos.

Fonte: UOL

Autor: Agência Comunicado