Necessidade de apresentar a receita médica causa queda na venda de antibióticos


Queda já era esperada pois o consumidor brasileiro era adepto da compra sem receita

O setor de antibióticos movimenta aproximadamente R$ 2,1 bilhões por ano no Brasil, segundo dados da IMS Health.  No entanto, no final do ano passado, entrou em vigor a medida da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que tornou obrigatória a apresentação da receita médica para a compra de antibióticos de qualquer tipo no Brasil. Um dos objetivos foi diminuir o uso indiscriminado desses remédios e a automedicação, que com o passar dos anos acabou levando a um sério problema de saúde pública: o da resistência microbiana. É fato que a utilização irracional de medicamentos causa resistência dos micróbios a vários princípios ativos.

Com a entrada em vigor da medida da agência regulatória, a venda desses medicamentos no país caiu drasticamente, como mostra uma pesquisa conduzida pelo Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo), tendo por base os 50 principais antibióticos. A queda chega a uma média de 27% por mês  e a maior queda, de 34%, se deu no mês de fevereiro.

Com relação aos 3 principais antibióticos vendidos no país –  amoxicilina, azitromicina e cefalexina – a redução de vendas foi ainda maior, superando 40%. Os produtos de marca foram os mais afetados. A queda já era esperada pois o consumidor brasileiro era adepto da compra sem receita.

A Anvisa observa que a exigência da receita já existia desde a década de 1970. No ano passado, a medida mais restritiva, com a retenção da segunda via da prescrição, e o retorno da primeira via carimbada ao paciente, fez valer a lei efetivamente. O prazo de validade da receita é de apenas dez dias, a partir da data da prescrição.

Os laboratórios farmacêuticos são a favor da medida pois o medicamento é enfim usado da maneira correta, de acordo com o médico.

Por: AgComunicado