Mudando a rotina na hora de tomar remédios


Novos métodos de prevenção à doenças vem mudando o ritmo da ingestão de medicamentos

Autor:        Agência Comunicado
Fonte:        Folha de São Paulo

Você já percebeu que algumas doenças e sintomas parecem marcar hora para aparecer? E para tratá-los, também é preciso seguir o relógio, segundo a cronofarmacologia "ramo da ciência que estuda como doenças e tratamentos são influenciados pelos ritmos biológicos”.Nos últimos 20 anos, a cronofarmacologia mudou a prescrição de alguns remédios, diz o neurologista John Fontenele Araujo, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte."A asma é o exemplo mais clássico. Sabemos hoje que as piores crises são à noite, e que o paciente deve se medicar antes de dormir."
Há outros remédios que já são prescritos levando em conta o relógio biológico, como as drogas anticolesterol (usadas mais à noite) e remédios para artrite e artrose, que também devem ser tomados antes de dormir.

Pressão Arterial

É pela manhã que acontece o maior número de infartos e derrames. A pressão arterial sofre uma alteração antes do despertar, causada pelo aumento na secreção de dois hormônios: o cortisol ("hormônio do estresse") e a adrenalina.
Muitas pessoas tomam remédio para controlar pressão alta pela manhã. Mas uma pesquisa canadense, que será publicada no próximo dia 17 no "Journal of the American College of Cardiology", diz que o indicado é que o remédio seja tomado antes de dormir. Segundo os pesquisadores, da Universidade de Guelph, o remédio será mais eficaz durante o sono, inclusive contra insuficiência cardíaca. O experimento foi feito em ratos, com a droga captopril.
Para Regina Pekelmann Markus, biomédica e coordenadora do laboratório de cronofarmacologia da USP, o artigo confirma uma tendência."Na Espanha, há médicos que já mudaram a prescrição de remédios de hipertensão. A mudança é para proteger o paciente no pico de pressão pela manhã."O estudo mostra a importância do controle da pressão durante a noite, mas, no caso de drogas com ação de 24 horas, não é preciso mudar a prescrição.