Microcefalia: como será o futuro das crianças em creches e escolas?


“Uma formação continuada é essencial por parte dos profissionais da área da saúde e também da educação”, alerta a coordenadora no NINAP

O estado da Paraíba é uma das localizações mais afetadas pelos casos de microcefalia a infecção congênita causada pelo vírus zika.  Entre os 223 municípios da região, apenas três contam com o atendimento especializado, o que não supre a necessidade dos familiares que possuem criança com o diagnóstico. 

Visando preparar os profissionais do setor para acolher as crianças com microcefalia e os seus familiares o Ministério da Saúde está atualmente elaborando um curso a distância com informações sobre a estimulação precoce. O curso será disponibilizado para os profissionais fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, médicos e outros especialistas que atuam na rede Sistema Único de Saúde (SUS). 

A neuropsicóloga e Coordenadora do NINAP (Núcleo de Investigação em Neuropsicologia, Afetividade, Aprendizagem e Primeira Infância), Pompéia Lyra, considera os estímulos precoces essenciais para a saúde e desenvolvimento da criança, sobretudo nos primeiros anos de vida. 

Para a Dra. Pompéia é imprescindível que os especialistas estejam preparados para receber esses bebês, assim como a família que também precisará de auxílio e informação. “Uma formação continuada é essencial por parte dos profissionais da área da saúde e também da educação, pois é possível também desenvolver essas crianças com práticas pedagógicas e atividades cotidianas”, considera. 

As alterações nos olhos das crianças com microcefalia, decorrente da infecção pelo zika vírus

A médica ressalta que a motricidade da criança com microcefalia, assim como as capacidades cognitivas são altamente afetadas, portanto, a intervenção precoce se faz necessária, pois o cérebro no primeiro ano de vida é altamente moldável e pode se adaptar muito bem aos estímulos recebidos. 

“O especialista obtendo informações das limitações das crianças com microcefalia irá indicar exercícios de estímulo, como atividades visuais, estimulação auditiva e proporcionar o movimento, pois é comum essas crianças apresentarem a rigidez”, explica. 

Dra. Pompéia comenta que durante as terapias os especialistas alertarão aos pais sobre os alongamentos necessários para a criança, assim como as variações de postura. Não deixar que a criança fique apenas numa posição durante muito tempo, é um exemplo.

 “É importante colocar de barriga para cima, colocar de barriga para baixo. Realizar essas variações para estimular o desenvolvimento”, acrescenta. 

A família que possui uma criança com diagnóstico de microcefalia precisa de atenção especial por parte da equipe médica e dos educadores. A neuropsicóloga cita a necessidade de comunicação entre essas partes para checagem da evolução motora e cognitiva da criança. “A construção de vínculos afetivos é inquestionável. A criança precisa se sentir segura, acalantada, tanto pelo profissional de saúde, como todos aqueles do seu convívio”, recomenda. 

Medidas essenciais para a prevenção do Zika vírus em adultos e em crianças

Rio de Janeiro é referência em atendimento às crianças com microcefalia

Não só os bebês diagnosticados com microcefalia, mas também gestantes que foram detectadas precocemente com a doença poderão ser atendidas pelo Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC), no centro da cidade. A rede é uma das principais no setor de neuropsicologia do país. 

O propósito é receber as famílias impactadas pela doença, realizar consultas multidisciplinares necessárias a esses pacientes e exames complexos. O secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Júnior, considera a medida útil para o controle da doença no estado e a indicação de tratamentos específicos para cada paciente.  As informações coletadas serão de extrema importância para estudos sobre o assunto, afirma Paulo Niemeyer, diretor do IEC. 

 

Pompéia Lyra, Psicóloga e Neuropsicóloga clínica

Congresso Nacional de Microcefalia

Juliana Rodrigues