Médicos discutem uso medicinal da maconha


Uso medicinal não é sinônimo de liberação ou legalização da droga

 

O lançamento mundial de um medicamento à base de maconha pela farmacêutica GW Pharma, e que será comercializado na América do Norte e na Europa pelo laboratório Novartis, reiniciou as discussões entre os especialistas brasileiros sobre o uso medicinal da droga no País.

O princípio ativo do remédio (Sativex), usado para aliviar a dor de pacientes com esclerose múltipla, não é permitido no Brasil. O país assinou diversos tratados que consideram a substância ilícita, o que dificulta inclusive o desenvolvimento de pesquisas científicas sobre as propriedades terapêuticas da planta e suas reações no cérebro.

Pesquisadores comparam a importância do estudo da Cannabis sativa (nome científico da maconha) com a relevância do ópio para o desenvolvimento da morfina – medicamento essencial para o tratamento da dor aguda. E reforçam o argumento de que a possibilidade de uso medicinal não é sinônimo de liberação ou legalização da droga.

Estudos comprovam que a Cannabis reduz os efeitos colaterais da quimioterapia, como náusea e vômito, estimula o apetite em pacientes com aids, pode ser usada para tratar o glaucoma e aliviar a dor crônica. O Sativex, por exemplo, não é vendido como cigarro – e sim na forma de um spray. Sua composição reúne apenas dois substratos da maconha: o delta9-tetraidrocanabinol e o canabidiol. Os especialistas afirmam que não causa mais ou menos dependência do que calmantes e antidepressivos e que a dependência não é argumento considerável para proibir a pesquisa.

Até o momento, a legislação brasileira proíbe o consumo de qualquer medicamento à base de maconha. Mas uma decisão judicial pode autorizar seu uso em casos específicos. A comercialização do Sativex ainda não foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Autor:  Agência Comunicado

Fonte:  Portal iG