Medicamentos que atuam nas funções renais são novas apostas para tratar o diabetes tipo 2


Inibidores eliminam a glicose pela urina, controlam pressão arterial e podem até contribuir para o emagrecimento

É crescente o número de tratamentos farmacológicos voltados para pacientes com diabetes, o que visa o controle da glicemia e principalmente, benefícios para a qualidade de vida. Atualmente, uma medicação bastante aplicada para o tratamento do diabetes mellitus 2 (DM2) é o inibidor SGLT-2, de origem da casca da árvore da maçã. A substância foi descoberta pelos químicos franceses em 1835 e só em 2013 aprovada como inibidor pela Food and Drug Administration (FDA) e liberada às vendas nos Estados Unidos. 

A endocrinologista, Dra. Giovanna Carpentieri, ressalta que associar hábitos saudáveis, como dieta equilibrada e a prática regular de exercícios físicos, são condutas prioritárias para o tratamento do diabetes, pois aumentam a ação da insulina, estimula a captação de glicose pelo músculo, diminui a glicose circulante e provoca maior sensibilidade celular à insulina. “Com isso, muitas vezes, é possível diminuir a quantidade de medicações antidiabéticas e a necessidade da insulina”, sinaliza. 

O tipo 2 do Diabetes compreende 90% do total de casos da doença

O avanço dos tratamentos voltados para a DM2 trouxeram as medicações via oral, como exemplo o Empagliflozina que melhora o controle glicêmico e diminui a necessidade de tratamentos invasivos, como ocorre com a insulina injetável.

A endocrinologista explica que a sigla SGLT-2 faz referência ao nome em inglês de uma proteína localizada nos rins: o cotransportador sódio-glicose tipo 2. As funções renais atuam como alvo do tratamento terapêutico para determinados medicamentos, como no caso do Empagliflozina

“A proteína encontrada nos rins é responsável por reabsorver a glicose que é filtrada pelo órgão antes que ela seja eliminada pela urina. As gliflozinas, como também são conhecidos esses novos medicamentos, agem bloqueando o funcionamento desta proteína, e o resultado é a eliminação de glicose pela urina”, explica a médica. 

Vantagens da medicação

O paciente com DM-2 se beneficia ao consumir esse tipo de medicamento, pois, diminui os níveis de glicose no sangue, reduz a glicemia e estudos também apontam o controle da pressão arterial, tornando o inibidor tão eficiente quanto os medicamentos específicos para hipertensão. 

Por que a Empagliflozina é importante aliada no tratamento da Diabetes tipo 2?

Pesquisa publicada na revista Diabetes Forecast associa o consumo dos inibidores SGLT-2 com a perda de peso. Esse resultado é possível, pois a medicação é capaz de eliminar de 60 a 80g de glicose ao dia, o que equivale a 4 calorias por grama, cerca de 300 calorias. Leia também: A Empagliflozina está entre as principais drogas utilizadas no tratamento da Diabetes tipo 2

Cuidados e efeitos colaterais do inibidor SGLT-2

A endocrinologista adverte que a medicação Empagliflozina não é indicada para portadores de diabetes tipo 1, mais comum entre os jovens.

“A substância não deve ser indicada para pacientes com diminuição moderada a grave da função dos rins. Como efeitos colaterais, há um risco de aumento na incidência de infecções urinárias e de infecções genitais, como candidíase e balanopostite”, alerta. 

Riscos de cetoacidose diabética

Em 2015 a FDA advertiu quanto aos riscos provocados pelo uso dos inibidores SGLT-2, como o desenvolvimento da cetoacidose, em que aumentam os níveis de cetonas (um tipo de ácido na região sanguínea). 

“A cetoacidose diabética é um efeito colateral raro, que ocorre com uma frequência significativamente maior em pessoas com diabetes tipo 1, mas também pode ocorrer em pessoas com diabetes tipo 2, manifestando-se com náuseas, vômitos, anorexia, dor abdominal, sede excessiva, dificuldade para respirar, confusão, fadiga incomum ou sonolência”, aponta. 

A endocrinologista salienta que para esses casos o tratamento com o inibidor SGLT-2 deve ser interrompido. “Se a cetoacidose for confirmada, medidas apropriadas devem ser tomadas para corrigi-la e para monitorar a glicemia”, completa. Leia também: Tratamento do Diabetes exige mudança de hábitos.

 

Participação da endocrinogista, Dra. Giovanna Carpentieri

Atua na Vivere Sanus

Referência:

http://www.diabetesforecast.org/2013/jun/new-sglt-2-meds-target-the-kidneys.html

Juliana Rodrigues