Medicamentos indicados para crianças com autismo


Substâncias aprovadas pelo FDA, órgão de vigilância americano

A medicação para os sintomas do Transtorno do Espectro Autismo (TEA) é uma possibilidade estudada mundialmente, sobretudo nos Estados Unidos. Estatísticas do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) aponta o crescimento de diagnósticos de autismo, a doença é prevalente em 1 a cada 50 crianças de 6 a 17 anos. O transtorno atinge indivíduos de ambos os sexos, embora seja incidente em meninos, afeta etnias variadas, classes sociais e crianças de toda parte do mundo.

O psiquiatra infantil Dr. Cesar Moraes orienta sobre os fármacos que obtiveram aprovação de órgãos reguladores para o consumo entre as crianças com autismo, como a rispiridona e o aripiprazol. Quais são os benefícios dessas substâncias e os cuidados necessários ao se indicar esse tipo psicofármaco para o público infantil.  Alerta sobre os principais efeitos colaterais e as melhorias. Acompanhe:

Rispiridona

O medicamento é considerado um antipsicótico atípico desenvolvido pela Janssen Farmacêutica e aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) tradução para o português:  Administração de Comidas e Remédios, um órgão americano  responsável pelo controle e averiguação de medicamentos para o consumo. O psiquiatra considera o psicofármaco um dos medicamentos mais seguros ao se tratar da indicação para pacientes infantis.

“A rispiridona em 2002 através dos estudos apontou melhora bastante significativa em relação ao comportamento de indivíduos com (TEA). Conseguiu reduzir a agressividade, melhorar o padrão de sono e amenizar a atividade motora por meio de doses baixas”, pontua.

De acordo com o médico o consumo da rispiridona apresentou avanços na área atencional do indivíduo com autismo. O psiquiatra recomenda antes da administração de qualquer substância avaliar o perfil do paciente, como averiguação lipídica, hemogramas, checagem das funções renais e até mesmo exames de imagens  como o eletrocefalograma. “A cada três ou seis meses a gente refaz esses exames da avaliação inicial para verificar se os medicamentos causam algum tipo de impacto sobre a parte física do indivíduo com (TEA)”.

Alguns efeitos colaterais do fármaco foram apontados pelo psiquiatra, como possível aumento do colesterol, alteração das funções hepáticas e descontrole da triglicérides.

“Ao se tratar da rispiridona têm indivíduos que depois de um mês ganha bastante peso e fica evidente a necessidade de retirada do medicamento. Às vezes você resolve um problema e ganha outro”, orienta.

Dr. César ressalta a importância de reconhecer qualquer tipo de alteração física e emocional após a ingestão do medicamento: “É importante ouvir os pais sobre as queixas em relação ao fármaco e aos possíveis efeitos colaterais. Sempre gosto de enfatizar que um pai bem orientado é muito importante para a adesão”.

Aripiprazol

Para indivíduos com (TEA) o aripiprazol (psicótico atípico) também aprovado pela FDA aponta diversas mudanças principalmente ao amenizar o grau de irritabilidade de portadores de autismo. Sobre os efeitos colaterais o médico pontua algumas reações: “O aripiprazol há muita queixa de fadiga durante o tratamento, cansaço e principalmente ganho de peso”, adverte.

A medicação indicada deve ter um acompanhamento muito delicado, portanto, não deixe de consultar o médico antes e durante a administração de qualquer substância citada. O consumo inadequado traz sérios riscos que podem comprometer a saúde da criança. 

Referências:

Conautismo: Congresso Nacional de Autismo, http://www.conautismo.com.br/#home

Ler saúde: http://www.lersaude.com.br/autismo-diagnostico-precoce-e-fundamental-para-estimular-criancas-na-comunicacao-e-socializacao/

 

Dr. César de Moraes, Psiquiatra infantil
Atualmente é  professor e assistente de psiquiatria do Centro de Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Juliana Rodrigues