Medicamento que trata pacientes com HIV pode provocar envelhecimento precoce


Remédio genérico usado em países pobres foi associado também à doenças típicas da velhice

Cientistas afirmam que remédio genérico utilizado para o tratamento da Aids em países pobres pode causar envelhecimento precoce e doenças que têm relação com idade avançada, tais como demência e problemas cardíacos.

Pesquisadores britânicos publicaram o estudo no jornal Nature Genetics. A pesquisa mostrou que medicamentos inibidores da transcriptase reversa podem causar graves danos ao DNA na mitocôndria do paciente. O medicamento é conhecido como NRTIs, na sigla em inglês. Eles creem que os medicamentos mais modernos para combate ao HIV não causam esses efeitos, pelo menos não de forma tão severa, por serem menos tóxicos às mitocôndrias, porém mais estudos serão necessários.

As recentes descobertas ajudam a entender por que indivíduos portadores do vírus do HIV tratados com remédios antigos contra a AIDS, em muitos casos, apresentam sinais de fragilidade e doenças como demência e problemas cardíacos, mesmo ainda jovens. É que em dez anos sob o tratamento com esses remédios, o DNA do indivíduo pode acumular uma quantidade de erros similar ao do indivíduo que envelheceu naturalmente 30 anos.

O AZT é o mais conhecido remédio NRTI, e representou uma grande evolução no tratamento da Aids a partir do final da década de 1980. Ele proporcionou um aumento do tempo de vida dos pacientes e auxiliou também a tornar o HIV uma doença crônica e não mais uma sentença de morte. Porém, o uso prolongado dos NRTIs desperta preocupações.

A mitocôndria é uma importante estrutura celular, que responde pelo processamento de oxigênio e glicose para dar energia ao corpo. Muitos tecidos dependem da sua boa manutenção. Os pesquisadores buscam maneiras de consertar ou parar a evolução dos danos provocados por essas medicações mais antigas. A prática de exercícios físicos parece ajudar pessoas com problemas na mitocôndria.

Por: AgComunicado