Psicofármacos para os sintomas do autismo: riscos e benefícios


Psiquiatra alerta que determinadas medicações apresentam eficiência durante o tratamento

O autismo surge desde o nascimento e atualmente busca-se diversas formas de tratar a implicação e amenizar as reações comportamentais dos indivíduos com Transtorno do Espectro Autismo (TEA). As medicações são indicadas como alternativas rápidas para estimular a interação social, comunicação, humor, ansiedade, irritabilidade e estereotipias comuns em pacientes autistas.

De acordo com o psiquiatra infantil Dr. César de Moraes ainda há preconceito em relação ao consumo de medicamentos para o trato do autismo, visto que os psicotrópicos possuem efeitos colaterais, o que faz com que a família desista da alternativa: “É fundamental que o especialista obtenha um vínculo com a família para uma avaliação apurada”, classifica.

Dr. César recomenda analisar quais os sintomas o profissional pretende mudar, o que inclui a hiperatividade, apatia, comportamentos estereotipados, entre outros.” Infelizmente nós não temos medicamentos efetivos para a melhoria do autismo como um todo”, completa.

O médico ressalta que antes da prescrição de qualquer fármaco uma avaliação minuciosa é imprescindível, como exames clínicos e principalmente o acompanhamento da rotina da criança com o familiar, na escola e em atividades diárias. Explica que é muito difícil avaliar dentro do consultório se a criança melhorou a hiperatividade, irritabilidade e agressividade. A medicação se faz necessária para melhorar o comportamento, logo é recomendado manter o contato com as pessoas que lidam com a criança, como professores e os pais.

“Desconfie do médico que começa a medicar e não conversa com ninguém. Vê a criança muito pontualmente, evidentemente ele deve ter muita dificuldade de avaliar se o fármaco está sendo efetivo ou não”, alerta.

Os pais devem receber orientação adequada

Acompanhar diariamente a evolução da criança é uma tarefa valiosa e que fará diferença ao decorrer do tratamento. O psiquiatra frisa que os pais devem saber o que é esperado em relação ao fármaco, tanto do ponto de vista positivo, como em relação aos efeitos colaterais.  “É sempre aconselhado reconsiderar se vale a pena continuar usando o psicofármaco ou não”, recomenda. O especialista diz que a criança pode apresentar evolução de seis meses a dois anos após o uso: “Após a possível melhora reconsidere diminuir doses, tentar retirar o medicamento e vê se há necessidade de continuar. Na maioria das vezes os sintomas voltam e podem possuir uma evolução crônica”, conclui.

Remédios em área de pesquisa

Como o Dr. César saliente ainda há diversos estudos em torno do tratamento do autismo, porém questionáveis, cita alguns exemplos como o DHA, encontrado no ômega-3 .

“Resultados preliminares em estudos aponta que o DHA pode auxiliar no combate às possíveis inflamações na área cerebral, melhorar a área motora, sociabilidade e concentração entre indivíduos com (TEA)”.

Outro exemplo de substância citada pelo psiquiatra é a ocitocina administrada de forma intranasal. Estudo realizado pela faculdade de medicina de Yale , nos Estados Unidos, aponta possível evolução na atividade cerebral e nas interações sociais do indivíduo autista. “É um hormônio bastante estudado e que aparentemente melhora a capacidade de entendimento de fala, de percepção afetiva do indivíduo, mas na verdade é que nós temos ainda poucos estudos a respeito da ocitocina”, adverte. O especialista alerta ao se tratar das pesquisa em torno da medicação:

“A avaliação de eficácia e segurança a longo prazo praticamente não existe. Se unirmos todos os estudos são aplicados em pouquíssimas crianças num curto período, o que não traz clareza e nem eficácia da segurança da ocitocina”, completa.  

Atenção aos efeitos colaterais

O médico adverte sobre aos efeitos colaterais das medicações e orienta sobre psicoestimulantes indicados para contribuir com a capacidade de concentração: “Indivíduos com o uso de psicoestimulantes em quadros mais leves apresentam geralmente melhoras, mas não são todos. Em alguns podem surgir efeitos colaterais e precisa descontinuar o medicamento”, recomenda. O psiquiatra cita como exemplo o metilfenidato, fármaco psicoestimulante que pode provocar a redução de peso, insônia e dor de cabeça. “O metilfenidato pode afetar o humor, aumentar a ansiedade e irritabilidade”, pontua. Dr. César aconselha atentar-se aos sintomas e efeitos colaterais, medindo riscos e benefícios da medicação, “Geralmente, existem fenômenos na criança que devemos tentar melhorar de forma mais rápida e o fármaco acaba auxiliando nesse sentido”, completa.

 

Referências

Conautismo: Congresso Nacional de Autismo

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/12/03/oxitocina-melhora-funcao-cerebral-em-criancas-com-autismo-mostra-estudo.htm

Dr. César de Moraes, Psiquiatra infantil
Atualmente é professor e assistente de psiquiatria do Centro de Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Juliana Rodrigues