Mamadeiras com Bisfenol A proibidas no Brasil a partir de 2012


Substância utilizada na fabricação de recipientes plásticos pode provocar infertilidade, câncer e problemas endócrinos, principalmente em lactentes

A partir de 1o de janeiro de 2012, as mamadeiras importadas ou fabricadas no Brasil não poderão mais conter a substância Bisfenol A (BPA). É o que decidiu a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com base em estudos recentes que apontam riscos para quem se expõe ao BPA. Com esta proibição, a Anvisa pretende proteger crianças de 0 a 1 ano, cujo organismo ainda não está desenvolvido o suficiente para eliminar esta substância.   

O bisfenol A é um composto usado na produção do polibicarbonato, bastante para fabricar mamadeiras e utensílios de plástico. O polipropileno é o principal substituto deste produto. Além do plástico, o BPA  está presente na resina epóxi, usada no revestimento de latas de conserva, para evitar a ferrugem e a contaminação externa.

Os fabricantes e importadores têm autorização para comercializar até 31 de dezembro deste ano as mamadeiras com BPA. Países como Canadá, China, Malásia, Costa Rica e Estados da União Europeia já proibiram o uso do bisfenol A.  Espera-se que o Mercosul, em breve, adote medida semelhante para mamadeiras e artigos voltados à alimentação de lactentes.

Em relação aos demais produtos que utilizam a substância, a Anvisa afirma que, até o momento, não há justificativas que levem a adotar outras medidas restritivas. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) lançou em 2010 a  campanha “Diga não ao bisfenol A, a vida não tem plano B”, criada pelo GTDE (Grupo de Trabalho em Desreguladores Endócrinos). O objetivo é divulgar informações sobre o assunto para governo, indústria e comunidade e, principalmente, banir o BPA de produtos infantis e de embalagens de alimentos.

Segundo a SBEM, estudos concluíram que, ao entrar em contato com o organismo, a substância pode afetar o sistema endócrino, alterando a ação dos hormônios e trazendo danos para a saúde. Infertilidade, endometriose e câncer estão entre as possíveis doenças. A contaminação é ainda mais prejudicial nas fases de desenvolvimento do organismo, ou seja, em gestantes, crianças e adolescentes.

Mas é possível evitar a exposição ao bisfenol A. Saiba como:

• Mamadeiras com BPA podem ser substituídas por utensílios de vidro ou BPA Free;
• Não aqueça comida ou bebidas em recipientes de plástico, nem congele alimentos nestes recipientes ou saquinhos de plástico, pois o bisfenol A é liberado em maiores quantidades quando em contato com o calor ou frio excessivo;
• Substitua pratos, copos e  utensílios de plástico pelos de vidro, porcelana, madeira ou aço inoxidável;
• Não utilize utensílios de plástico riscados ou quebrados. Não use detergentes fortes para lavá-los, nem os coloque na máquina de lavar louças;
• Ao comprar embalagens plásticas fique atento se, no interior ou parte posterior do produto, aparecem os números 3 e 7.  Eles indicam que a embalagem contem ou pode conter o BPA na sua composição;
• Não compre produtos enlatados se a embalagem estiver amassada ou com data de  validade vencida.

Por: AgComunicado