Entenda sobre o linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não-Hodgkin (LNH)


O ator Edson Celulari foi diagnosticado com a doença e luta pela vida

O ator Edson Celulari em sua conta do Instagram publicou uma foto contando sobre a descoberta de um linfoma não-Hodgkin. Esta mesma doença também acometeu outras celebridades como Reynaldo Gianecchini, Glória Perez e a presidente afastada Dilma Rousseff.

 

                                             MAS O QUE SÃO LINFOMAS?

 

O onco-hematologista e membro da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Celso Massumoto, explica que linfócitos são células pertencentes ao sistema imunológico que estão diretamente ligadas à produção de anticorpos (linfócitos B), ao controle do sistema imunológico e ao ataque direto a células infectadas (linfócitos T e NK). As células podem se multiplicar normalmente em contato com agentes infecciosos ou inflamatórios, provocando como reação o aumento de órgãos do sistema linfático, como é o caso dos linfonodos, amígdalas e baço. O organismo possui mecanismos de autocontrole e quando os estímulos cessam, os órgãos regridem, voltando ao tamanho original:

“Quando estas células sofrem dano em seu material genético e perdem este autocontrole, podem multiplicar-se desordenadamente, podendo formar tumorações nestes órgãos e infiltrações em outros órgãos fora do sistema linfático (extranodais), caracterizando a doença denominada linfoma (com mais de 30 subtipos com características distintas).”

 

QUAL A DIFERENÇA ENTRE O LINFOMA DE HODGKIN (LH) E LINFOMA NÃO-HODGKIN (LNH)?

 

De acordo com o artigo Linfoma Não-Hodgkin, este tipo de linfoma inclui 20 tipos diferentes da doença. Os números de casos duplicaram nos últimos 25 anos, principalmente em pessoas acima de sessenta anos. O mesmo artigo apresenta como sintomas da doença: o aumento dos linfonodos do pescoço, axilas ou virilha; sudorese noturna excessiva; presença de febre; prurido (coceira na pele) e perda de peso inexplicada.

O especialista Celso Massumoto esclarece que o linfoma de Hodgkin (LH) se caracteriza pela presença de células tumorais grandes, multinucleadas com nucléolos grandes, conhecidas como “células de Reed Sternberg”. Este tipo de linfoma corresponde a 30% de todos os linfomas existentes. Os linfonodos comprometidos costumam se localizar acima do diafragma (músculo que separa o tórax do abdômen): “É o tumor que mais progrediu em termo de cura com o avanço do tratamento quimioterápico e radioterápico nas últimas quatro décadas”.

O especialista explica que o linfoma não-Hodgkin (LNH) caracteriza-se por padrão de disseminação não-contíguo, sendo diagnosticado com freqüência como “doença disseminada”. Envolve frequentemente os órgãos extranodais e possui menos curabilidade se comparado ao LH, representa chances de reversão entre 40% e 50% dos casos e pode ser classificado quanto ao comportamento clínico em indolente ou agressivo:

“O LNH indolente costuma apresentar crescimento lento e progressivo, geralmente sem maior comprometimento do estado geral, permitindo uma conduta expectante até o surgimento de massas tumorais grandes e compressivas, sintomas gerais como febre, sudorese noturna e perda ponderal, além de anemia e plaquetopenia.”

O onco-hematologista salienta que neste caso, por apresentar crescimento lento, as células tumorais são menos susceptíveis à quimioterapia, o que quer dizer que as chances de resposta satisfatória no tratamento são menores.

O médico explica que o LNH agressivo apresenta tumoração de crescimento rápido, comprometendo o estado geral do corpo, o que pode levar a pessoa a óbito de semanas a meses se não for tratado rapidamente: “Por apresentar multiplicação rápida, as células tumorais são mais suscetíveis ao tratamento quimioterápico, e, por conseguinte, costuma apresentar maior curabilidade em relação ao LNH indolente.”

O especialista também esclarece que o estadiamento (avaliação da extensão do câncer) é feito com base em dados clínicos, em exames de imagem (tomografia e ressonância magnética) e biopsia de medula óssea: “Tanto o LH como o LNH são estadiados de forma semelhante utilizando-se a classificação de Ann Arbor, que utiliza a localização de sítios ganglionares".

 

                                           E QUANTO AO TRATAMENTO?

 

O onco-hematologista destaca que a quimioterapia se refere a um tratamento realizado com drogas isoladas ou em associação com outras drogas, que atuam em diferentes fases da divisão celular ou síntese de proteínas essenciais:

“O intuito é o de destruir as células tumorais ou impedir o seu crescimento/multiplicação levando à remissão da doença completa (ausência de qualquer sinal/sintoma da doença).”

O médico explica que a desvantagem do processo da quimioterapia é a de que não possui ação específica contra a célula tumoral, oferecendo toxicidade às demais células não atingidas do organismo, que costumam se multiplicar rapidamente como as que se localizam no tubo digestivo, folículo piloso e medula óssea.

O mais importante em caso de identificação da doença é procurar tratamento o quanto antes e claro, não perder a motivação e esperança.

Leia também: Quais são os tratamentos em casos de linfoma?


 

Dr. Celso Massumoto (CRM 48392) - Diretor clínico da Oncocenter, coordenador de transplante de medula óssea do Hospital Nove de Julho e membro da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale).

 


 


Fontes

Edson Celulari fala sobre câncer na web: ‘Foi um susto, mas estou bem’. Ego. Famosos: ego.globo.com/famosos/noticia/2016/06/edson-celulari-fala-sobre-cancer-na-web.html

Linfoma Não-Hodgkin. INCA (Instituto Nacional de Câncer): www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=457
Máxima Assessoria de Imprensa 

Máxima Assessoria de Imprensa 

Daiana Barasa