Indústria adicionou drogas emagrecedoras ao cigarro por 50 anos


Levantamento foi feito em documentos da própria indústria do cigarro

As maiores indústrias de cigarros do mundo são suspeitas de terem usado aditivos químicos nos cigarros para gerar a redução no apetite, segundo pesquisa conduzida por especialistas da Universidade de Lausanne, na Suíça, e publicada no The European Journal of Public Health. Os documentos mencionam a adição de anfetaminas, redutores de apetite, gás do riso (que suprime a fome ao alterar o sabor dos alimentos) e ácido tartárico (que reduz a fome ao ressecar a boca), entre outras.

A prática durou meia década, de 1949 a 1999, segundo o grupo de pesquisadores. O levantamento feito em documentos da própria indústria tabagista vieram a público devido a uma ação dos Estados Unidos na qual as indústrias foram condenadas por terem omitido os danos causados pelo fumo por quatro décadas. A ação gerou a maior indenização da história, de aproximadamente R$ 346 bilhões, e na análise de todos os documentos da indústria, por ordem judicial.

O supressor de apetite aumenta a capacidade de reduzir a fome. A estratégia deu certo: até hoje, muitas pessoas dizem que não vão parar de fumar porque engordariam. Não dá para saber se a prática continua, segundo Semira Gonseth, uma das autoras do trabalho. A descoberta dos moderadores de apetite mostra que a indústria é de fato antiética.

A maior parte dos documentos com referência a moderadores de apetite encontrados pelos pesquisadores é da Philip Morris, uma das líderes mundiais no mercado de cigarros. O projeto de um cigarro popular nos anos 70, o Pall Mall, menciona adição de cafeína e efedrina. Uma molécula patenteada para reduzir o apetite e que confere sabor de pipoca ao cigarro foi adotada pela British American Tobacco, proprietária da Souza Cruz, pela Philip Morris e ainda outras duas fabricantes. De acordo com os pesquisadores, a empresa inglesa que controla a Souza Cruz também usou ácido tartárico, que resseca a boca e foi proibido de ser adicionado ao tabaco pela Justiça dos Estados Unidos em 1977.

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Fonte:        Folha de S. Paulo