Esclerose Múltipla: diagnóstico precoce é um dos maiores desafios


Doença acomete, principalmente, mulheres adultas jovens

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crônica e autoimune (assim chamada quando o sistema imunológico agride o próprio organismo) que compromete o SNC (Sistema Nervoso Central). Em geral, aparece em pessoas adultas jovens, principalmente do sexo feminino. Áreas do cérebro, cerebelo, tronco encefálico e da medula espinhal são afetadas por processos inflamatórios, seguidos do aparecimento de cicatrizes (ou escleroses).

Pouco se sabe sobre as causas, mas estudos recentes sugerem predisposição genética e fatores ambientais. A EM compromete a mielina, complexo de camadas lipoproteicas que envolvem e isolam as fibras nervosas (axônios) e permitem a rápida transmissão dos impulsos, auxiliando na condução das mensagens que controlam as atividades conscientes e inconscientes do organismo. A perda da mielina (processo que recebe o nome de desmielinização) prejudica a neurotransmissão, produzindo os diversos sintomas da doença, que podem ser leves, moderados ou intensos, e surgem sem dar aviso, como dormência, visão dupla, perda de visão, falta de equilíbrio e fraqueza.

A EM pode ser:
• Remitente Recorrente (EMRR): os surtos ocorrem de repente, seguidos de recuperação parcial ou total dos mesmos. É a forma mais comum da esclerose múltipla;
• Primária Progressiva (EMPP): evolui sem surtos, mas os sintomas são progressivos e acumulam-se com o tempo;
Secundária Progressiva: os sintomas são lentos e progressivos com o tempo, em pessoas que possuem a forma remitente recorrente, no início, e que pode evoluir com sintomas sem surto, em geral, após 20 anos do início da doença.

Não existe cura para a EM, mas o tratamento a ser indicado pelo neurologista tem como objetivo reduzir os surtos e o acúmulo de incapacidades. E, como prevenção é tudo quando se trata de qualquer doença, quanto antes começar o tratamento, melhor a possibilidade de reduzir as inflamações, as lesões do axônio e a progressão da EM.

Os medicamentos utilizados para tratar a EM recebem o nome de imunomoduladores,  reduzem os surtos e retardam a evolução da incapacidade neurológica. É importante ter em mente que o diagnóstico precoce é fundamental, e este é o maior desafio hoje para médicos e pacientes.

No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) estima que existam mais de 30 mil pessoas com a doença, e desse total, somente 5 mil recebem tratamento adequado. A Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (FEBRAPEM), a ABEM e entidades em todo o país promoveram ao longo do mês de agosto uma série de atividades para conscientizar a população sobre a doença.
Se você não participou de alguma palestra ou atividade sobre a doença, programe-se já para o próximo ano: 30 de agosto é o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla (EM).

Por: AgComunicado