A Empagliflozina está entre as principais drogas utilizadas no tratamento da Diabetes tipo 2


Os medicamentos para o controle glicêmico são as primeiras escolhas no tratamento da doença

Segundo a matéria OMS exorta governos a combater números alarmantes de diabetes no mundo, o total de casos de diabetes existente hoje é quatro vezes maior do que na década de 1980. De acordo com alerta emitido pela OMS, o diabetes representa número alarmante de 3,7 milhões de mortes todos os anos. 

A médica especialista em Endocrinologia e Metabologia, Viviane de Oliveira, relata a frequência com a qual trata pacientes com diabetes:

“Diariamente recebo pacientes em tratamento ou em início de diagnóstico de diabetes, infelizmente. Só no Brasil, existem cerca de 10 milhões de pessoas com Diabetes, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. É um número alarmante. A obesidade e o sobrepeso são também queixas corriqueiras no consultório e o diabetes é uma possível consequência do excesso de peso”

A especialista esclarece que o diabetes é uma doença crônica e que o descontrole glicêmico está associado a um maior risco de complicações visuais (retinopatia diabética), neurológicas (neuropatia diabética), renais (nefropatia diabética e insuficiência renal), vasculares (pé diabético, dificuldade de cicatrização, úlceras) e aumento do risco cardiovascular:

“O descontrole do diabetes é associado ao aumento do risco de infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC). Também aumenta a chance de alterações psiquiátricas, como depressão. Tudo isso interfere e muito na qualidade de vida da pessoa. Por isso, o melhor é controlar o máximo possível para evitar estas complicações.”

A endocrinologista explica que atualmente os medicamentos que ajudam no controle glicêmico e no controle de peso, são as primeiras escolhas no que se refere ao tratamento do diabetes. A metformina é geralmente a primeira opção de droga e pode ser usada isolada ou associada a outro medicamento, conforme as características do paciente e nível do descontrole glicêmico:

“A liraglutida (Saxenda) tem resultados muito bons tanto no controle glicêmico quanto na redução do peso corporal. Mais recentemente foi demonstrado que a substancia liraglutida também age diminuindo a fome em uma área específica do cérebro. 

O artigo Saxenda: novo medicamento para emagrecer chega ao Brasil, esclarece que a substância liraglutida provoca aumento na produção de substâncias anorexigênicas (que diminuem a fome) na região cerebral (hipotálamo). Resumidamente, age aumentando a sensação de saciedade, fazendo com que a pessoa ingira menos alimentos e conquiste o emagrecimento.

Além dessa substância, a especialista destaca a nova classe de medicamentos denominada inibidores da SGLT-2 — uma proteína transportadora que atua na reabsorção da glicose filtrada pelos rins, impedindo que seja eliminada por meio da urina:

“Ao impedir essa reabsorção, as glifozinas eliminam o excesso de açúcar que seria reabsorvido pelo rim, permitindo que, diariamente, haja a eliminação de cerca de 78 gramas de glicose em média, o que equivale a aproximadamente seis colheres de sopa de açúcar, ou 312 calorias. Por este motivo, ocorre também emagrecimento com o medicamento.”

A médica esclarece que segundo o estudo (Empagliflozina) - Ensaio de Resultados de Eventos Cardiovasculares em Pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 2, a adição do inibidor SGLT-2 no tratamento usual de pacientes com DM tipo-2 e elevado risco cardiovascular, comparado com o uso do placebo, diminuiu significativamente o desfecho primário do estudo (morte por causas cardiovasculares, infarto não-fatal e acidente vascular não-fatal) em um segmento médio de 3,1 anos, principalmente às custas de diminuição de mortalidade: 

”O uso da Empagliflozina levou a uma redução de risco relativo de 38% para mortes cardiovasculares e 32% para mortes por todas as causas. Os resultados promissores do uso de Empagliflozina vêm levando a um aumento progressivo do uso dessa medicação nos últimos meses em todo o mundo.”

Não se deve, de forma alguma, tomar quaisquer medicamentos sem a devida orientação de um especialista. Se sofre da doença,continue o tratamento e o controle, é possível ter qualidade de vida.


Dra. Viviane Christina de Oliveira – Médica Especialista em Endocrinologia e Metabologia. Formada pela Universidade de Joinville. Especialização em Endocrinologia e Metabologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Ciências Biomédicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Membro titulado da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

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Fontes

OMS exorta governos a combater números alarmantes de diabetes no mundo. O Globo: oglobo.globo.com/sociedade/saude/oms-exorta-governos-combater-niveis-alarmantes-de-diabetes-no-mundo-19027146

Saxenda: novo medicamento para emagrecer chega ao Brasil. EndoQuali: www.endoquali.com.br/dicas-e-artigos/61-saxenda-novo-medicamento-para-emagrecer

(Empagliflozin) - Cardiovascular Outcome Event Trial in Type 2 Diabetes Mellitus Patiences. (Empagliflozina) - Ensaio de Resultados de Eventos Cardiovasculares em Pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 2 (tradução livre): clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT01131676

Daiana Barasa