Dores mais comuns (e pouco valorizadas) na infância


Sociedade Brasileira de Pediatria elabora consenso para evitar diagnósticos e tratamentos equivocados

Um novo Consenso sobre as Dores pouco Valorizadas em Crianças acaba de ser lançado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com a finalidade de auxiliar os pediatras e médicos a identificar, diagnosticar e tratar oito tipos de dores que acometem tanto crianças como adolescentes e recebem pouca atenção. É importante saber que o diagnóstico errado leva ao uso de medicamentos errados, que podem causar efeitos colaterais desastrosos em uma criança.

Segundo os médicos, toda queixa ou dor que a criança sente merece atenção e deve ser tratada, mas muitas vezes não é o que acontece. É o que revelam estudos que indicam que sentir dor durante um longo período, sem  tratamento, leva ao desenvolvimento de uma “memória dolorosa”, transformando essa criança em um adulto com maior sensibilidade à dor.

Veja quais são as dores mais comuns em crianças e adolescentes:

Cólicas: Costumam aparecer mais em meninas que meninos. O bebê fica irritado, há excesso de gases e o rosto fica vermelho.  Parecem com maior frequência no final da tarde e início da noite. As primeiras manifestações costumam aparecer algumas semanas após o nascimento e duram, em geral, até o terceiro ou quarto mês de vida. Os pediatras indicam, em alguns casos, medicamentos contra gases.  

Erupção dos dentes: a dor como consequência do surgimento dos dentinhos começa por volta do 5o ou 6.º mês de vida e termina por volta dos 2 anos e meio de idade. O bebê começa a salivar em excesso e as gengivas se inflamam, coçam e ficam vermelhas. O bebê fica irritado, não dorme bem, pode ter febre e perturbações gastrointestinais. Para aliviar tais sintomas, os médicos costumam indicar alguns medicamentos.

Desordens Temporomandibulares (DTM): estas dores envolvem os músculos da mastigação, a articulação temporomandibular (ATM). Podem ser causadas por diversos fatores, mas os psicossociais têm um papel importante. Entre os sintomas estão sons articulares durante a movimentação da mandíbula, limitação dos movimentos articulares e dor localizada na região próxima à orelha ou nos músculos da mastigação. O tratamento inclui medicamentos, uso de aparelhos ortodônticos, fisioterapia e, conforme a gravidade do caso, cirurgia.

Dor de cabeça recorrente: a cefaleia recorrente é o tipo mais comum de dor em crianças e jovens. Muitas vezes, é diagnosticada de maneira errada como distúrbio visual e sinusite. Existem medicamentos que ajudam tanto no tratamento como na prevenção. Mudanças na alimentação, sono e hábitos são importantes.

Dor do crescimento: presente principalmente em meninas entre 4 e 14 anos, afeta os membros inferiores. Costuma aparecer à tarde ou à noite, e de manhã desaparece. O tratamento prevê analgésicos, massagens e alongamentos.

Fibromialgia juvenil: é uma das causas mais comuns de dores musculares crônicas. Entre os sintomas estão fadiga, sensação de peso ou inchaço, distúrbio do sono, depressão, ansiedade e baixa autoestima. Atividade física (pilates é muito recomendado) e terapia cognitivo-comportamental são tratamentos que surtem efeito.

Dores relacionadas à pratica de esportes: comum entre crianças e adolescentes.
Feito o diagnóstico, poderão ser recomendados medicamentos ou fisioterapia.

Dor abdominal recorrente: ocupa o segundo lugar no ranking das dores mais comuns (a cefaleia ocupa o primeiro lugar). Entre as inúmeras causas, encontram-se os processos infecciosos (infecção urinária), inflamatórios (doença de Crohn), distensão ou obestrução de vísceras, doenças parasitárias e constipações. Para um tratamento efetivo, é necessário descobrir a causa real da dor.


Por: AgComunicado