Diabetes gestacional: a atividade física é tratamento mais indicado


Os exercícios físicos aumentam a sensibilidade à insulina e diminui as chances de aumento excessivo de peso

O sobrepeso e a obesidade na gravidez pode comprometer a saúde da mulher e do bebê, principalmente pelo aumento das chances de diabetes gestacional. Estudo realizado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) – Obesidade e gestação: aspectos obstétricos e perinatais – aponta que pacientes que apresentam a obesidade ao decorrer da gestação estão sujeitas a sofrer alterações hormonais, circulatórias, respiratórias, além de aumentar as chances de cirurgias cesarianas e a mortalidade materna. 

A mulher obesa sofre maior risco de infertilidade e principalmente o desenvolvimento da diabetes tipo mellitus (pré-gestacional e gestacional), assim como síndromes hipertensivas (hipertensão crônica e pré-eclâmpsia). Uma forma de combater a obesidade na gestação é por meio da alimentação orientada e a prática de atividade física. A personal trainer, Bruna Osten, explica que os exercícios físicos atuam junto ao tratamento da diabetes, pois aumenta a sensibilidade à insulina, favorece no controle glicêmico e ajuda na prevenção da diabetes gestacional. Leia: Medindo a glicemia: cuidados importantes.

“As atividades aeróbicas, como caminhadas e hidroginásticas e de resistência, como a musculação e o pilates, são recomendas para alcançar esses objetivos”, indica. 

Para a prática de atividade física entre as pacientes gestantes com diabetes alguns cuidados devem ser seguidos, alerta a educadora física, como o controle glicêmico antes e depois da atividade física, ter um carboidrato de rápida absorção em caso de hipoglicemia durante o treinamento e realizar as atividades preferencialmente após as refeições, que é o momento de maior disponibilidade de glicose circulante. Leia também: A Empagliflozina está entre as principais drogas utilizadas no tratamento da Diabetes tipo 2

“Sobre as gestantes hipertensas controladas não há comprovação de que o repouso previna a pré-eclâmpsia e nem que proporcione melhores resultados maternos. Sem contar que o repouso prolongado aumenta o risco de trombose”, adverte. 

Veja os fatores de risco para a diabetes gestacional de acordo com a The American Congresso of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) (Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas):

-Mulheres acima de 25 anos
-Mulheres acima do peso recomendado
-Gestantes com histórico de diabetes
-Quando houver parentes próximos com diabetes
-Caso de morte fetal em gravidez anterior

A ACOG alerta que em situações de diabetes gestacional é recomendado que a mãe realize o exame após a gestação até 12 meses depois do parto. Se os testes no pós-parto apresentar níveil de glicose normalizado é sugerido realizar um novo teste a cada três anos. A criança também deve ser supervisionada durante toda a infância, pois corre riscos de apresentar a obesidade e a diabetes. 

O tipo 2 do diabetes compreende 90% do total de casos da doença

Os exercícios físicos e a dieta são os principais tratamentos para prevenir a diabetes gestacional e tratar pacientes que possuem a complicação. A educadora física ressalta que as atividades com intensidade leve a moderada são recomendadas, desde que monitorada e supervisionada em caso de gestantes com pré-natal em dia e com controle pressórico (pressão controlada). 

“As gestantes hipertensas controladas ativas tem menor taxa de internação na UTI, menor taxa de prematuridade dos bebês, menor taxa de morbidade neonatal, maior taxa de recém-nascidos com peso acima de 2 quilos e meio”, alerta.  

 

Bruna Osten, Personal Trainer 
Conagrávidas - Congresso Nacional para Grávidas

 

Referências:

http://www.febrasgo.org.br/site/wp-content/uploads/2013/05/feminav37n1p3-6.pdf
http://www.acog.org/Patients/FAQs/Gestational-Diabetes#take

 

Juliana Rodrigues