Dia Mundial da Cegueira: ainda há muito por fazer


Falta de informação, cuidados e adesão ao tratamento são os principais problemas enfrentados para melhorar a situação da cegueira no mundo

Os números ainda não inspiram nenhuma comemoração no Dia Mundial da Visão, em 13 de outubro: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a cada cinco segundos uma pessoa perde a visão. As crianças não ficam de fora das estatísticas: uma fica cega a cada minuto. Dados da OMS estimam que 314 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de algum tipo de deficiência visual. No Brasil, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) revela que há 1,25 milhões de pessoas cegas e cerca de 4 milhões de deficientes visuais sérios. Pessoas com mais de 50 anos, tanto homens como mulheres, apresentam os maiores índices de perda ou comprometimento sério da visão.

Já especialistas do departamento de oftalmologia da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) alertam que 75% destes casos poderiam ser evitados ou tratados precocemente se a população tivesse mais acesso a informação. Entre as principais doenças que levam à perda da visão estão a catarata, a degeneração macular, a retinopatia diabética e o glaucoma. Se não tratados corretamente e a tempo, podem trazer complicações muito sérias. Conheça um pouco mais sobre elas:

Degeneração macular relacionada à idade (DMRI): é a causa mais comum de cegueira irreversível no ocidente, afetando aproximadamente 30% das pessoas com mais de 75 anos. A forma atrófica ou seca é responsável por cerca de 90% dos casos, e a exsudativa ou úmida,  corresponde aos 10% restantes. Na maioria, acomete as mulheres e cerca de 10% a 20% dos pacientes têm casos na família. Pessoas brancas com íris azuis, fumantes e com pressão alta, com doenças cardiovasculares e hipermetropia estão mais propensas a desenvolver a doença.

Retinopatia Diabética: dos dois tipos de diabetes que existem, cerca de 70% desenvolverão a doença após 10 anos, e 90% após 30 anos de evolução. Já 60% das pessoas com diabetes tipo II (não insulinodependentes) terão retinopatia após 15 anos de evolução do diabetes. Entre os fatores de risco estão a própria duração da doença, pressão alta, íris azul ou cinza, fumo, gravidez, hormonioterapia, uso de drogas e cirurgia de catarata.
 
Catarata Senil: ainda é a maior causa de cegueira no mundo, presente em 47% das pessoas entre 65 e 74 anos e 73% em pacientes acima de 75 anos. Depois que a cirurgia de catarata passou a ser feita pelo SUS, em 1998, estima-se que hoje existam aproximadamente 350 mil pessoas cegas por catarata.
 
Glaucoma: é a terceira maior causa de cegueira no Brasil, que provoca danos irreversíveis à visão. É uma doença crônica e incurável, mas se controlada adequadamente, com rigor, é possível conviver bem com ela. O tipo de glaucoma mais comum é o crônico de ângulo aberto, que pode atingir de  6% a 7% das pessoas após os 70 anos. Hereditariedade é um fator de risco importante.  Após os 40 anos, quem tem predisposição genética deve consultar anualmente o oftalmologista.

Por: AgComunicado