Coqueluche de volta


Ministério da Saúde nega ocorrência de surto em setembro, mas reforça a necessidade de vacinar bebês até os 6 meses de idade

A coqueluche, conhecida popularmente como tosse comprida, está de volta. Apesar de não reconhecer a existência de um surto no País, o Ministério da Saúde detectou que o numero de casos dobrou em relação a 2010: de 291, foram confirmados 583 pessoas com a doença. Por isso, é importante que crianças com menos de um ano tomem a vacina tetravalente (protege contra a difteria, tétano, coqueluche e meningite) aos dois, quatro e seis meses de idade, com dois reforços na infância.

Quem já teve a doença não se torna imune para sempre. Essa imunidade é duradoura, mas não permanente. Em geral, de cinco a dez anos depois da última dose da vacina, é preciso vacinar-se novamente, pois a proteção é pouca ou nenhuma. A Sociedade Brasileira de Imunologia recomenda o reforço da vacina contra a coqueluche aos 11 anos de idade e na vida adulta.

A coqueluche é uma doença infecciosa aguda transmitida por uma bactéria – a Bordetella pertussis - que ataca o aparelho respiratório (traqueia e brônquios). A transmissão acontece através do contato com secreções e gotículas eliminadas por uma pessoa doente ao falar, tossir ou espirrar. Para tratá-la, antibióticos e, se necessário, internação hospitalar.

A doença evolui da seguinte forma:

• Fase Catarral – duração de uma a duas semanas. Sintomas leves: febre baixa, mal-estar geral, coriza e tosse seca. Os surtos de tosse surgem aos poucos, e ficam cada vez mais intensos e frequentes, até as crises de tosses paroxísticas.
• Fase Paroxística - febre baixa ou ausente. Paroxismos de tosse seca, caracterizados por crises de tosse súbita e incontrolável, rápida e curta. Há protusão da língua, congestão facial e cianose, seguida de apneia, vômitos e guincho. Tais crises de tosse ocorrem com maior frequência à noite. A intensidade aumenta nas duas primeiras semanas; depois, diminui aos poucos. Esta fase dura de duas a seis semanas.
• Fase de Convalescença – os paroxismos de tosse dão lugar a tosse comum. Fase com duração de duas a seis semanas, mas pode se prolongar por até três meses.
 
Podem ocorrer complicações respiratórias (pneumonia, enfisema, ruptura de diafragma etc), neurológicas (convulsões, coma, hemorragias intracerebrais etc) e outras como otite média, edema de face, hérnias, conjuntivite, desidratação etc..
    
Recomenda-se que pessoas com coqueluche se afastem do convívio social ou com outras crianças por cinco dias após o início do tratamento. Este período pode ser prolongado por até três semanas caso não seja feito o tratamento com antibióticos. Não se esqueça de lavar as mãos sempre que houver contato com o doente. O uso de máscara também é recomendado – uma vez usada, deve ser descartada.

Histórico no Brasil - Na década de 1980, 80 mil casos de coqueluche eram registrados por ano. Na década de 1990, as campanhas de vacinação reduziram esse número para 15 mil. Em relação a 2010, houve em São Paulo um aumento de 40% nos registros de coqueluche, por isso a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo emitiu um alerta epidemiológico. No ano 2000, no mundo, foram estimados 39 milhões de casos e 297 mortes devido à coqueluche.

Por: AgComunicado