Consumo de dipirona gera polêmica


Princípio ativo de diversos analgésicos, a dipirona teve seu uso vetado em países europeus e nos Estados Unidos

Disponível no mercado mundial, a dipirona é um analgésico e antipirético do grupo das pirazolonas, sendo comercializado em mais de 100 países.

Em 1932, pela primeira vez, se estabeleceu uma relação entre o uso da dipirona e a agranulocitose – um tipo de distúrbio sanguíneo. O primeiro caso de agranulocitose, possivelmente relacionado a dipirona ocorreu em 1935, despertando a preocupação de autoridades, principalmente americanas. O medicamento passou a ser vendido apenas sob prescrição médica.

Há aproximadamente quinze anos foi publicado um relatório pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que fez uma avaliação comparativa sobre os risco e benefício do uso de analgésicos como a dipirona. Esse relatório mostrou que o risco absoluto de mortalidade associada à dipirona parece ser substancialmente menor comparado ao risco associado aos anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) em geral. Mesmo assim, seu uso contínuo passou a ser questionado por autoridades europeias, tendo seu uso vetado em países da Europa e também nos Estados Unidos.

Por que então seu uso continua liberado no Brasil? Trata-se do analgésico mais utilizado no país, sendo prescrito largamente nas emergências e consultas ambulatoriais, além de ter mais de 80% de suas vendas sem a prescrição médica. Existem no país  aproximadamente 125 produtos à base de dipirona.

Não há dúvidas sobre a sua eficácia como analgésico e antitérmico. Até o momento, a substância vem sendo muito utilizada pela população sem que tenham sido relatados grandes riscos ou reações adversas, que pudessem justificar a retirada do mercado. Isso pode ser explicado pelas diferenças étnicas nas populações como uma das razões que fazem com que os organismos reajam de modo diferente. Foi analisada a incidência e os fatores de risco para agranulocitose em países latinoamericanos. E foram obtidas conclusões reveladoras: a taxa de incidência da doença em países europeus aumenta quando a dipirona é utilizada, enquanto nas populações dos países da América Latina, essa taxa cai.

Podemos concluir que sua proibição  incorreria em aspectos negativos para a população, que estaria perdendo uma boa opção de analgésico e antitérmico, cujo preço está entre os menores do mercado.

Por: AgComunicado