Compreenda sobre a bulimia e compulsão alimentar na infância e adolescência


A prevenção é a palavra-chave para que o problema não tome maiores proporções

O mal dos transtornos alimentares na infância e adolescência é uma triste realidade. Uma das armas mais importantes para que os pais possam salvar seus filhos é a observação de seus comportamentos e hábitos alimentares. Alguns dos transtornos alimentares mais recorrentes são: bulimina e compulsão alimentar.

A psicóloga infantil, Bárbara Catarina, explica que a bulimia é um quadro de transtorno em que a criança ou adolescente, se alimenta normalmente, mas se utiliza do vômito, do uso de laxantes ou de diuréticos para ter a sensação de que o alimento não irá causar danos ao corpo, o que se refere principalmente, ao acúmulo de gorduras e calorias: “A bulimia vem de uma forma mais intensa, a pessoa sente que precisa comer, mas logo após comer, sente essa necessidade de por para fora”.

De acordo com o artigo Transtornos alimentares na infância e na adolescência, pessoas que apresentam anorexia nervosa (AN) ou bulimia nervosa (BN), estão aptas a desenvolver vícios como o consumo de álcool e o tabagismo, unidos a dietas, à compulsão alimentar e a comportamentos com finalidade de perda extrema de peso corporal.

“Às vezes vem a tristeza, vem a raiva, vem a culpa, aí a pessoa come uma barra de chocolate sozinha, aí fica mais triste, mais frustrada, aí a pessoa vomita, mas permanece frustrada, triste, com raiva, culpa, comerá de novo, vomitará de novo, torna-se um ciclo vicioso. A bulimia pode trazer consequências gravíssimas na infância e na adolescência”, esclarece a psicóloga.

A especialista explica que é fundamental que os pais observem o comportamento alimentar do filho(a) e como está se sentindo emocionalmente, assim como é importante compreender sobre os ideais de beleza que cultiva.

O artigo O tratamento dos transtornos alimentares na infância e na adolescência, esclarece que a compulsão alimentar é quando a pessoa come uma quantidade exagerada de comida e tem a sensação de falta de controle sobre essa ingestão alimentar exagerada. A pessoa após esse ato se sente culpada e ao mesmo tempo não consegue parar de comer.

A psicóloga Bárbara Catarina, destaca, que a compulsão alimentar tem sido cada vez mais evidenciada pela mídia e que cada vez mais cedo, as crianças têm tido compulsões, assim como os adultos e as família em geral, acabam tendo esse comportamento de compulsão. A especialista explica que isso ocorre porque as pessoas não têm controle emocional e quando falta o controle, a pessoa se utiliza da comida para ter a sensação de satisfação imediata:

“O chocolate, por exemplo, satisfaz, porque libera hormônios importantes, mas isso não quer dizer que tenha que se tornar um vício, é preciso tirar esse vínculo do alimento, e aí quando vem a compulsão, geralmente a pessoa sempre vai comer mais do que a saciedade, e mais do que isso, a pessoa come além do que pode suportar.”

A psicóloga acrescenta que a culpa e o transtorno viram uma bola de neve e que quadros de transtorno, geralmente, não são individuais, mas envolvem a família e por isso, é fundamental cuidar:

“O que fazer com isso? Busque ajuda, "observei um comportamento e não sei o que fazer com o meu filho(a)?" É fundamental procurar ajuda profissional, para que isso seja cuidado cada vez mais cedo. A palavra-chave é a prevenção, não vamos deixar que o transtorno se instale para que então se possa cuidar.”

A especialista alerta que conversar, observar, discutir, é fundamental e claro, rever os hábitos alimentares procurando associar cada vez menos a comida ao prazer, ao controle emocional:

“Aquela criança e aquele adolescente que ficam extremamente obcecados pelo próprio corpo, em que se percebe que o contexto que os envolve é o da beleza, pode ser um sinal importante de que há algo errado. Sempre que a criança e adolescente estiverem tristes ou com raiva, observe como é o comportamento alimentar por conta disso.”

A psicóloga ressalta que o transtorno alimentar não se instaura do dia para a noite e de que é um processo em que a criança vai internalizando qual é o ideal de beleza e o que deve fazer para conquistá-lo, já que cria-se na mente a ilusão de que só é possível ser feliz se for magro, se não tiver celulite, imperfeições etc.

Observe seu filho(a), veja o que está ocorrendo, procure prestar atenção em como se comporta, em como se alimenta, dialogue. Estes males podem ser irreversíveis na infância, portanto, prevenir ou buscar ajuda é fundamental.


 

 

Bárbara Catarina – Psicóloga Infantil

Fanpage: www.facebook.com/psibarbaracatarina

Site: barbaracatarina.com.br

 

 

 


 

Fontes
Congresso de Alimentação e Hábitos Saudáveis na Infância.

Transtornos alimentares na infância e na adolescência. Realizado por: Juliana de Abreu Gonçalves (et al.): www.scielo.br/pdf/rpp/v31n1/17.pdf

O tratamento dos transtornos alimentares na infância e na adolescência: www.obesidadeinfantilnao.com.br/publicacoes/artigos/o-tratamento-dos-transtornos-alimentares-na-infancia-e-na-adolescencia

Daiana Barasa