Cientistas americanos criam células-tronco neurais a partir de embrionárias


Trabalho será focado no tratamento de doenças oculares

Um artigo científico divulgado na segunda-feira mostra que cientistas norte-americanos conseguiram criar células-tronco do sistema nervoso a partir de células embrionárias. A pesquisa foi explicada em uma publicação da Academia de Ciências dos Estados Unidos e conduzida por equipes da Universidade da Califórnia, em San Diego, e dos Institutos Gladstone, em São Francisco.

A vantagem do método está no fato das células-tronco neurais obtidas serem duráveis e estáveis, o que pode permitir, no futuro, a aplicação dessas estruturas em testes clínicos.

Kang Zhang, professor de oftalmologia e genética humana da universidade e um dos responsáveis pelo estudo, afirma que outra virtude da nova técnica está no número de células-tronco neurais geradas (milhões em menos de uma semana). O método desenvolvido pelos pesquisadores também não apresenta um problema comum em pesquisas com células-tronco: a formação de tumores.

A pesquisa com células-tronco embrionárias é uma promessa para a medicina regenerativa pela possibilidade de recuperar de tecidos e até órgãos inteiros. Mas as técnicas atuais não são seguras para gerar um número suficiente de células estáveis, aptas para uso em tratamentos para humanos.

O trabalho da equipe de Gladstone agora será focado no tratamento de doenças oculares ligadas a problemas em células neurais como o glaucoma – lesão do nervo óptico que causa, com o tempo, perda da visão – e a degeneração macular (quando a mácula, região central da retina, é afetada).

 

Glaucoma é a designação genérica de um grupo de doenças que atingem o nervo óptico e envolvem a perda de células ganglionares da retina num padrão característico de neuropatia óptica. A pressão intraocular elevada é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de glaucoma, não existindo contudo uma relação causal direta entre um determinado valor da pressão intraocular e o aparecimento da doença — enquanto uma pessoa pode desenvolver dano no nervo com pressões relativamente baixas outra pode ter pressão intraocular elevada durante anos sem apresentar lesões.

 

A degeneração macular é uma doença complexa que engloba alterações progressivas da retina, estrutura localizada no fundo do olho, responsável pela captação dos estímulos luminosos e transformação em sinal elétrico para o cérebro. A mácula, porção central da retina, responsável pela visão central e de detalhes, é a principal região acometida.

 

Autor: Agência Comunicado

 

Fonte: G1