Câncer de laringe: o perigo de combinar o cigarro com a bebida alcoólica


Nesses casos as chances de desenvolver a doença aumentam em até quatro vezes, alerta o médico


A American Cancer Society (Sociedade Americana de Câncer) sinaliza que em 2016 surgiram cerca de 13.430 novos casos de câncer de laringe, sendo (10.550 homens atingidos e 2.880 mulheres). Os dados são otimistas quanto a queda gradativa do câncer de laringe que chega de 2% a 3% por conta de muitas pessoas estarem parando de fumar ou fumando menos. De acordo com o órgão americano cerca de 60% dos cânceres de laringe iniciam-se  na glote (localização das cordas vocais) e 35% dos casos se desenvolvem na região supraglótico (acima das cordas vocais). 

O cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital de Câncer de Barretos, Dr. Ricardo Gama, explica que na fase inicial o câncer de laringe pode apresentar alterações na voz, como rouquidão e desconforto na região da garganta. Dor ao engolir os alimentos, incômodo no ouvido e nódulos no pescoço são também sintomas que podem surgir em casos de câncer na laringe. 

“O diagnóstico é feito através do exame clínico e de exames endoscópicos da laringe, quando um pequeno fragmento do tumor é retirado (biópsia) para possibilitar a detecção da doença”, pontua. 

 

Hábitos são as principais causas para o câncer de laringe

De acordo com o médico ao se tratar do câncer de laringe os fatores hereditários pouco influenciam. O especialista alerta quanto ao hábito de fumar não só os convencionais cigarros com filtro, mas também cachimbos, charutos e cigarro de palha. “Quanto maior o número de cigarros fumados ao dia e quanto maior o número de anos fumados, aumentam as chances de desenvolver este câncer”, sinaliza. 

Pior ainda é quando o hábito de fumar é associado com a ingestão de bebidas alcoólicas. O cirurgião esclarece que nesses casos as chances para o desenvolvimento do câncer de laringe aumentam em até quatro vezes:

“Considera-se excesso, o consumo de mais de três doses por dia de qualquer bebida alcoólica. Uma dose é definida como: uma dose de destilado (pinga, vodka, cachaça) uma taça de vinho ou 01 lata (cerca de 350 ml) de cerveja”, orienta. 

A American Cancer Society aponta alguns tipos de cânceres que podem ser provocados pelo consumo do álcool, como: câncer de boca, garganta (faringe), laringe, esôfago, fígado, cólon, reto e a mama. A organização explica que associar o consumo do álcool com o tabagismo é ainda mais perigoso, pois o álcool atua como solvente e potencializa as substâncias químicas nocivas presentes no tabaco a agredirem diretamente as células que revestem o aparelho digestivo. O álcool é também responsável por dificultar a capacidade das células de reparar danos causados no DNA, provocados pelas substâncias químicas, como o tabaco. 

O risco de câncer aumenta não com o tipo de álcool ingerido, mas pela quantidade que se consome ao longo do tempo. Um dos compostos que tornam o álcool altamente agressivo ao organismo é a presença do etanol.  

Como tratar o câncer de laringe?

O médico ressalta que o câncer de laringe tem 100% de chances de ser curado em casos em que o diagnóstico é feito na fase inicial da doença. “Quanto ao diagnosticado em fase avançada a taxa de cura pode ser inferior a 50%, dependendo do caso”, completa. Na fase inicial o câncer de laringe é tratado com cirurgias parciais e radioterapia. Já na fase avançada, é indicado a remoção total da laringe ou o tratamento quimioterápico e a radioterapia. 

“Nesse caso o objetivo é preservar a laringe, que é o órgão que protege a via respiratória, contribui em direcionar a comida para o órgão da passagem do alimento (esôfago) e que produz a voz”, salienta. 

Em casos de remoção da laringe o especialista explica que o paciente passa a respirar com a ajuda de um orifício localizado na região baixa e central do pescoço, podendo perder a voz natural. Dr. Gama orienta que atualmente há exercícios apropriados para treinar a voz do paciente, assim como aparelhos e próteses.

 “A reabilitação da voz, suas qualidades e inteligibilidade poderão ser boas ou não na dependência do interesse de cada paciente, da motivação, da sociabilidade, da importância que cada um dá para a voz, da idade do paciente e do tipo de cirurgia realizada”, conclui.      

 

Dr. Ricardo Gama, Cirurgião de Cabeça e Pescoço - Hospital de Câncer de Barretos.

 

Referências:

http://www.cancer.org/cancer/cancercauses/dietandphysicalactivity/alcohol-use-and-cancer
http://www.cancer.org/cancer/laryngealandhypopharyngealcancer/detailedguide/laryngeal-and-hypopharyngeal-cancer-key-statistics
  

 

Juliana Rodrigues