Câncer de esôfago: qual o tratamento e as chances de cura?


O refluxo gastroesofágico está entre os fatores de risco

A American Cancer Society (Sociedade Americana de Câncer) estima que em 2016 foram diagnosticados cerca de 16.910 novos casos de câncer no esôfago, sendo 13.460 em homens e 3.450 nasmulheres. A doença como os próprios números demonstram é prevalente entre os homens de 3 a 4 vezes mais. O câncer de esôfago representa aproximadamente 1% de todos os cânceres diagnosticados nos Estados Unidos, embora seja bastante comum em países como: Irã, norte da China, África do Sul e Índia. 

A SCA (sigla da American Cancer Society) aponta que os tratamentos em relação ao câncer de esôfago atualmente estão aumentando as chances de sobrevivência entre os pacientes. Nos anos de 1960 e 1970 apenas cerca de 5% dos pacientes sobreviviam após o diagnóstico, visto que agora essa porcentagem aumentou para 20%. 

O cirurgião de cabeça e pescoço, Dr. José Francisco de Chagas, explica que os primeiros sinais do câncer de esôfago surgem com a dificuldade de deglutição (disfagia), incialmente com alimentos sólidos e ao passar do tempo o incômodo também surge com a ingestão de alimentos pastosos e líquidos. O médico alerta como um dos fatores de risco o cigarro e a ingestão do álcool:

“Ambos provocam irritação local, além dos efeitos sistêmicos das substâncias cancerígenas presentes”, sinaliza. 

Em quais situações aumentam as chances de câncer de esôfago?

Idade

A chance entre os mais jovens de adquirir a doença é pequena. Menos de 15% dos casos são diagnosticados em pessoas com idade inferior a 55 anos. 

Consumo excessivo de bebida alcoólica e cigarro

Produtos como tabaco, cachimbo, cigarros e charutos são fatores bastante considerados em diagnósticos de câncer de esôfago. Quanto maior o tempo que a pessoa utiliza o fumo, aumentam as chances da formação de cancros. A SCA adverte que indivíduos que possuem o hábito de fumar pelo menos um maço de cigarros ao dia têm o dobro de chances de desenvolver o câncer de esôfago, quando comparado com um não fumante. Ao unir os hábitos de beber e fumar, as chances de câncer aumentam ainda mais. 

Doenças de refluxo gastroesofágico

O cirurgião de cabeça e pescoço, Dr. Marcos Tavares, alerta que os riscos de câncer de esôfago aumentam, principalmente na porção inferior do esôfago:

“Azia (queimação no peito) e tosse sem causa aparente podem acontecer com o refluxo gastroesofágico. A endoscopia digestiva antecipa o diagnóstico e permite o tratamento”, orienta. 

Pessoas que possuem o refluxo devem realizar periodicamente os exames endoscópicos e seguir as recomendações do tratamento. O especialista Dr. Chagas salienta quanto aos fatores casuais, como tabagismo, consumo de etílicos e alimentos que possam dificultar a digestão:

“As gorduras e alimentos que aumentam a acidez devem ser evitados. Além disso, a obesidade é um dos principais fatores para o refluxo gastroesofágico”, alerta. 

Bebidas muito quentes

Recentemente a agência Internacional de Investigação do Cancro (IARC) considerou a ingestão de bebidas quentes como um fator carcinógeno. Bebida superior a 65ºC é considerada perigosa. 

Principalmente entre as pessoas que sofrem de refluxo gastresofágico a única forma de diagnóstico precoce da doença é por meio dos exames endoscópicos regularmente. De acordo com o Dr. Chagas as chances de cura dos tumores que atingem o esôfago são menores e variam em torno de 30 a 40% quando o diagnóstico é feito ainda na fase inicial. “O tratamento ideal é associação entre cirurgia, radioterapia e quimioterapia”, indica. 

Durante o tratamento o médico explica que a alimentação pode ocorrer normalmente, exceto em casos do trânsito digestivo apresentar dificuldades por conta da presença do tumor. Por outro lado,  Dr. Tavares salienta que a deglutição pode ser prejudicada ao decorrer do tempo e necessitar de intervenções:

“Às vezes é necessário o uso de sonda nasogástrica ou mesmo fazer gastrostomia, que é uma abertura na parte alta do abdômen com uma sonda diretamente no estômago”, explica.

Participação dos especialistas:

Dr. Marcos Tavares, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço do Hospital Moriah

Professor pela Faculdade de Medicina da USP

Dr. Jose Francisco Chagas, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço

Professor do curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas

 

Referências:

http://www.cancer.org/cancer/esophaguscancer/detailedguide/esophagus-cancer-risk-factors
http://www.cancer.org/cancer/esophaguscancer/detailedguide/esophagus-cancer-key-statistics
http://www.cancer.org/cancer/news/news/world-health-organization-says-very-hot-drinks-may-cause-cancer

Juliana Rodrigues