Câncer de esôfago: grande incidência de mortalidade


O câncer de esôfago é o 6º mais frequente entre os homens

Você sabe o que significa a Campanha “Julho Verde”? Trata-se de uma ação de prevenção da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP).

De acordo com o artigo Sobre o Câncer de Cabeça e Pescoço,  os principais sintomas destes tipos de câncer são: aparecimento de nódulos, de feridas que não cicatrizam, dor de garganta que não se cura, assim como dificuldade para engolir ou rouquidão.

Ainda de acordo com o artigo, os fatores de risco para o surgimento desses tipos de cânceres é o frequente consumo de álcool e o tabagismo, o que representa 75% dos casos do problema. A combinação das duas substâncias aumenta mais o risco do desenvolvimento de câncer de cabeça e de pescoço, se comparado a quem consome álcool ou faz uso na nicotina isoladamente.

A conscientização proposta pela Campanha Julho Verde não pode parar, assim como outras doenças também precisam ser esclarecidas, como é o caso do câncer de esôfago.

Segundo dados do IBCC – Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, o câncer de esôfago é uma das doenças que mais tem incidência de mortalidade, representando o equivalente a 5% dos óbitos decorrentes dessa neoplasia em todo o mundo. O fato do risco da doença ser aumentado devido ao tabagismo e ao consumo do álcool, demanda informações, ações em torno da divulgação do problema e do perigo à saúde.

De acordo com o IBCC, a maioria dos casos de câncer de cabeça e de pescoço é chamada de carcinoma epirdemoide, comumente conhecido como câncer de esôfago, trata-se de um tumor que se enquadra na oitava posição mundial de tipo de câncer de maior incidência.

De acordo com artigo publicado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), no Brasil, o câncer de esôfago (tubo responsável por ligar a garganta ao estômago) é o 6º mais frequente entre o público masculino e o 13º mais frequente entre as mulheres. O tipo de câncer de esôfago mais comum, representando 96% dos casos é o carcinoma epidermoide escamoso. Já, a outra manifestação da doença: adenocarcinoma, também tem tido aumento significativo no número de casos.

Ainda de acordo com dados do INCA, neste ano, há uma estimativa de 10.810 casos da doença, sendo que deste número, 7.950 casos representam os homens e 2.860 casos representam as mulheres. Em 2013, o número de mortes foi de 7.930, sendo que deste número, 6.203 mortes dentre os homens e 1.727 casos dentre o público feminino.

De acordo com o IBCC, o carcinoma epidermoide é quatro vezes mais comum entre os homens do que entre as mulheres. A neoplasia de esôfago é uma das doenças mais perigosas, devido ao fato de os sintomas se apresentarem de maneira vaga.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), três fatores estão intimamente ligados ao câncer de esôfago que são: tabagismo, etilismo (alcoolismo) e o consumo diário de líquidos a uma temperatura acima de 65 graus.

O cirurgião oncológico, Mario Feitoza, explica que por conta dos sintomas vagos, a maioria dos pacientes chega em consulta em caso de intratabilidade. O médico explica que o consumo diário de líquidos acima de 65 graus pode levar à inflamação crônica na mucosa, impedindo a regeneração celular, o que pode vir a causar câncer de boca, língua ou esôfago: “O tabagismo, etilismo, associado ao consumo frequente de bebidas quentes, colocam as pessoas em exposição para o desenvolvimento da doença. São costumes culturais e há regiões que fazem aumentar a incidência da doença”.

Embora a doença seja silenciosa, o indício mais comum é quando há problema de deglutição, sensação de que o alimento está preso na garganta, conhecido como disfagia, este último sintoma costuma ocorrer quando o mal se encontra em estágio avançado.

O oncologista esclarece que alguns sinais de alerta podem ajudar a antecipar o diagnóstico:

“Pessoas que fumam e consomem em excesso bebidas alcoólicas, podem vir a ter rouquidão, anemia, vômitos, falta de apetite, falta de ar e tosse. Neste caso, fazer exames regularmente é fundamental, principalmente quando está exposto a fatores de risco.”

O artigo científico Tratamento Cirúrgico do Câncer de Esôfago, explica que dentre as mais variadas opções de tratamento do câncer de esôfago, está a ressecção cirúrgica e o tratamento não-cirúrgico com radioterapia e quimioterapia. A cirurgia se constitui em modalidade terapêutica que oferece melhor controle local e maiores chances de sobrevida ao paciente.

De acordo com o oncologista, o procedimento da cirurgia costuma incluir a administração da radioterapia e da quimioterapia: “Em alguns casos realizamos a pré-quimio e a pré-radio com o intuito de reduzir o tamanho do tumor, para diminuir o tamanho da cirurgia e alguns riscos que podem surgir”.

Quando a doença evoluiu a ponto da impossibilidade da retirada do tumor, são realizados tratamentos paliativos, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida do paciente, ajudando no alívio de sintomas, como dores e problema de deglutição. A taxa de sobrevida em casos de diagnóstico terminal com tratamentos paliativos varia entre 15% e 25%.

“Essa taxa de letalidade só pode vir a mudar com a compreensão das pessoas sobre a doença e as principais causas. Mudar os hábitos culturais e regionais das pessoas não é uma tarefa fácil, porém seria o único meio de prevenção e conscientização para diminuir o alto índice dessa doença”, acredita Dr. Marcelo Calil, diretor-médico do IBCC.



 

 

Dr. Marcelo A. Calil – É diretor-médico do IBCC - Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (na imagem à esquerda)

Dr. Mario Feitoza de Carvalho Freitas Filho – É cirurgião oncológico do IBCC – Instituto Brasileiro de Controle do Câncer


 


Fontes

Sobre o Câncer de Cabeça e Pescoço. Instituto Oncoguia: www.oncoguia.org.br/conteudo/sobre-o-cancer/2557/122

Esôfago. Instituto Nacional de Câncer: www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/esofago/definição

Tratamento Cirúrgico do Câncer de Esôfago. Realizado por: Carlos Eduardo Pinto; Jurandir Almeida Dias; Eduardo Amaral Moura Sá; Audrey Tieko Tsunada; Rodrigo Nascimento Pinheiro: www.inca.gov.br/rbc/n_53/v04/pdf/artigo4.pdf

Comunicação do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer

Daiana Barasa