Câncer de boca associado ao HPV cresceu nos últimos dez anos


Os casos de câncer de boca e orofaringe disparam no país na última década relacionados à infecção por HPV

A incidência de câncer de boca e orofaringe associados ao papilomavírus humano (HPV) cresceu nos últimos dez anos. Os casos de tumores causados pelo vírus é três vezes maior ao registrado no fim dos anos 90. Não houve um crescimento no número total de casos, e sim alterações no perfil da doença.

Anteriormente, os cânceres de boca e da orofaringe, que é a região atrás da língua, o palato e as amígdalas, afetavam mais os homens acima de 50 anos, que fumavam ou bebiam em excesso. Atualmente, as doenças atingem os mais jovens, entre 30 e 45 anos, que não fumam e nem bebem em excesso, mas praticam sexo oral desprotegido.

Uma análise publicada no "International Journal of Epidemiology" indica que quanto mais parceiras com as quais se pratica sexo oral, e quanto mais cedo o homem começar sua vida sexual, maior o risco que ele corre de ter câncer causado pelo papilomavírus humano .

O HPV já está associado a 32% dos tumores de boca nos pacientes com menos de 45 anos no Hospital A.C Camargo, por exemplo, sendo que antes, o índice era de 5%. O hospital atende 160 casos todos os anos desses tumores.

A boa notícia é que os tumores de orofaringe associados ao HPV têm melhores prognósticos em comparação aos causados pelo tabagismo, uma vez que respondem melhor aos tratamentos e muitas vezes não é necessário operar.

A vacina contra o HPV não está aprovada para os homens no Brasil. Nos Estados Unidos a imunização masculina existe, porém não protege contra o HPV 16, que é o tipo que mais gera câncer de boca e orofaringe. No Brasil, só as mulheres entre 9 e 26 anos são vacinadas contra os quatro tipos de HPV mas a imunização só existe no sistema privado de saúde.

Fonte:     Folha de S. Paulo