O Barulho Pode Prejudicar a Saúde


O barulho tem um impacto que é incômodo, mas subestimado.

O barulho prejudica a saúde. Num relatório publicado nesta terça-feira, a Academia Médica Francesa detalha as repercussões sanitárias de uma exposição aos distúrbios sonoros na vizinhança. “O fato é bastante importante, mas ele é curiosamente subestimado, sublinha o professor François Legent, autor do relatório. Quando se interroga os franceses, dois a cada três lamentam o barulho em suas casas, ao passo que 15% pensam em se mudar, sobretudo em Paris. Mais eles não citam o barulho como uma de suas preocupações sanitárias.”

Os distúrbios sonoros, quer sejam domésticos, ligados às atividades ou ao trabalho, estão na origem de numerosos problemas. Em resposta a uma simulação acústica, o organismo reage como ele o fará contra toda agressão física ou psíquica. Se ela é contínua ou repetida, esta simulação encadeia uma multiplicação das respostas do organismo que pode acabar num estado de cansaço, ou até esgotamento, e num enfraquecimento dos mecanismos de defesa.

Frequência Cardíaca

O barulho possui também efeitos sobre o sono, desde um nível de 45 decibéis. Ele pode originar o aumento do tempo de sono, o despertar noturno e as insônias que têm repercussões a longo termo. A academia cita a irritabilidade, a ansiedade, a fadiga crônica, a baixa motivação e a depressão como repercussões a longo prazo. Durante o dia, uma diminuição de atenção é responsável por acidentes cada vez mais frequentes.

O barulho acelera, aliás, a frequência cardíaca. Entre as populações expostas de maneira crônica a intensidades sonoras elevadas, podem-se desencadear desordens cardiovasculares, como a hipertensão arterial. Segundo um relatório parlamentar de junho de 2011, o barulho poderia ser responsável por 3% das mortes e doenças cardíacas isquêmicas (infartos, notadamente). Segundo o Instituto de prevenção e de educação para a saúde, o primeiro efeito negativo é o incômodo, quer dizer, uma sensação de desagrado que pode levar a irritação, ao desconforto, ao estresse.

Acelerador de Problemas Mentais

“É preciso dar-se conta da subjetividade do barulho, pois a maneira pela qual ele é percebido depende do contexto mais que da intensidade”, assinala o professor Legent. As mulheres ficam mais incomodadas, de dia como de noite, e as pessoas que moram sozinhas são mais sensíveis que aquelas que vivem em casal.

Se o barulho não é considerado como uma causa direta de doenças mentais pela OMS, estudos sugerem que ele poderia acelerar e agravar o desenvolvimento de problemas mentais latentes ou em fases pré-clínicas. Efeitos sobre a agressividade, a concentração e os aprendizados escolares foram constatados.

“Hoje, a regulamentação sobre barulhos de vizinhança é muito completa, mas é difícil de ser aplicada”, sublinha o professor Legent. A Academia de Medicina insiste na informação e na sensibilização do grande público. Ela recomenda o acréscimo de uma informação sobre as performances acústicas dos alojamentos em caso de venda e a criação de um certificado de qualidade para as empresas do edifício. A academia deseja também a criação de funções do ruído, que proporiam escutar e mediar locatários afetados pela algazarra de seus vizinhos.