As Promessas de uma Nova Pílula Contra o HIV


Uma nova pílula contendo quatro medicamentos, entre os quais três anti-HIV e um potencializador, parece tão eficaz quanto os tratamentos correntes.

Ainda que existam já quase trinta moléculas contra o HIV, o arsenal poderá se expandir com um recém chegado. Trata-se dum novo comprimido “tudo em um” associando dois anti-HIV já comercializados à duas novas moléculas. A primeira é o elvitegravir e a segunda o cobicistat, uma molécula sem ação sobre o HIV, mas que potencializa o efeito do elvitegravir. Batizado de “Quad”, este comprimidos é então, contrariamente ao que sugere o seu nome, uma triterapia fixa (três anti-HIV + um potencializador).

 Este novo tratamento é destinado aos pacientes dos quais a soropositividade ao HIV acaba de ser descoberta e que não tenham sido ainda tratados. Foi então comparado à dois tratamentos atualmente recomendados. O “Quad” se revelou menos eficaz no que concerne à baixa  da carga viral depois de onze meses de tratamento. Os resultados destes testes de fase III (última fase antes da comercialização) foram publicados no dia 30 de junho no Lancet.

Promessas, mas não revolução.

Uma alternativa esperada? “Não verdadeiramente”, estima a Doutora Dominique Costagliola, diretora da unidade Inserm “epidemiologia, estratégias terapêuticas e virologia clínica na infecção ao HIV”. “Para os pacientes que são tratados pela primeira vez, aos quais esta triterapia se dirige, haverá um risco importante de resistência. É então uma inovação que permanece muito interessante, mas não estou segura que seu lugar no mercado será astronômico”.

Para que um novo medicamento se imponha, é preciso que ele tenha ao menos tanta eficácia e apresente uma vantagem em termos de tolerância e observância. “Com o cobicistat, se poderia esperar a liberação dos efeitos indesejáveis do ritonavir ( um outro medicamento com efeito potencializador) notadamente sobre o aumento das más gorduras no sangue (triglicerídios e LDL-Colesterol). Mas não é impossível que ao invés disso, o cobicistat seja mau para os rins”, nota a doutora Costagliola.

Os dois estudos mostram, com efeito, uma pequena alteração na função renal, que aparece desde a segunda semana de tratamento e se estabiliza depois do segundo mês de tratamento. Mas o tempo do estudo é pouco menos de um ano e a inocuidade permanece então quanto à avaliar a longo termo.

“Todos os medicamento anti-HIV possuem seus pequenos problemas”, admite a especialista, “como hoje há um largo painel, pode-se escolher, em função do perfil de seu paciente, a boa associação, a boa dose”. Isso não permite uma associação fixa.

 

Fonte: Lefigaro.fr

Henrique Torres