As alterações nos olhos das crianças com microcefalia, decorrente da infecção pelo zika vírus


Estudos recentes comprovam a incidência de casos relacionados com a malformação congênita



Com o surto de microcefalia que teve início no final de 2015, diversas especialidades médicas têm se desafiado a compreender a microcefalia decorrente da infecção pelo zika vírus, a fim de dar aos recém-nascidos com a doença, maiores chances de reabilitação.

O oftalmologista Dr. Vasco Bravo, esclarece que o que se tem utilizado entre os especialistas é o termo Síndrome Congênita do Zika: “Porque essas crianças não têm só alterações oculares, elas têm alterações neurológicas, musculares, articulares, auditivas, então são crianças que precisam de um acompanhamento multidisciplinar”.

A matéria Bebês com microcefalia apresentam problemas de vista, destaca que de acordo com pesquisa realizada em Pernambuco com bebês nascidos com malformação entre maio e dezembro do ano passado, foram identificadas anormalidades graves no nervo óptico e retina, enquanto as mães não apresentavam nenhum problema. A primeira pesquisa havia sido realizada com três bebês com microcefalia, decorrente do vírus zika e que apresentavam anormalidades nos olhos, já a segunda pesquisa envolveu três mutirões de atendimentos desde dezembro de 2015 a janeiro deste ano, em que 130 bebês foram examinados, por trinta profissionais.

O especialista explica que a região macular é a responsável pela visão central mais minuciosa e que qualquer alteração nesta região pode resultar em déficit na visão da criança e do adulto. O médico explica sobre um dos resultados obtidos a partir do exame que envolveu 20 bebês:

“Dezessete dos vinte olhos apresentavam alterações. Entre as alterações retinianas, a mais frequente foi a pigmentação em região macular, presente em três dos vinte olhos, a pigmentação pode variar, pode se apresentar de maneira mais leve, moderada e em quantidade maior. Tivemos a atrofia coriorretiniana, presente em 3 dos 20 olhos. E a perda do brilho foveal apresentada em 16 dos 20 olhos. “


A reportagem Estudo constata problemas na visão de bebês com microcefalia em PE, explicava que as crianças analisadas, em sua maioria, apresentavam alterações no fundo do olho bilaterais, em que os dois olhos se mostravam afetados gravemente.

O médico explica que as alterações do nervo óptico podem variar desde uma palidez até a aparência levemente avermelhada, pode ocorrer um aumento da escavação papilar, alteração presente em 4 de 20 olhos examinados. Também pode ocorrer uma hipoplasia do disco, que é quando o nervo é um pouco mais atrófico (menor do que o tamanho normal), todas as alterações podem repercutir na má função do nervo óptico mesmo que não haja alterações na retina: “Muitas vezes não precisa ser uma atrofia grande para poder causar uma alteração significativa na visão dessas crianças, mas dependendo da localização, pode ter consequências bem devastadoras”.

Na matéria Estudo investiga ligação entre microcefalia e alterações nos olhos, é destacado o trabalho feito pela Fundação Altino Ventura (FAV), que realizou três mutirões de atendimento a crianças com microcefalia para verificar a incidência de problemas nos olhos relacionados com a doença congênita. No último mutirão, realizado em janeiro deste ano, 55 bebês foram examinados, deste número 40 apresentavam problemas de vista relacionados com a malformação decorrente do zika.

O especialista destaca que atualmente no Brasil o maior número de casos leva os profissionais de saúde, como é o caso dos médicos e pesquisadores da Fundação Altino Ventura, a vencerem o grande desafio de pesquisarem e compreenderem sobre a doença para que se possa tratar essas crianças. Dentre os estudos realizados, o médico destaca que as alterações fundoscópicas basicamente apresentadas foram: atrofia coriorretiniana, acompanhada de alterações pigmentais na região macular, além da hipoplasia de disco:

“Essas crianças precisam de um acompanhamento de longa data com reabilitação, é importante que profissionais de outros locais, de outros estados, especialistas em retina, oftalmologistas, tenham a oportunidade de ver essas crianças com microcefalia e de se atentarem a esses exames.”

A matéria Especialistas da área da saúde precisam se preparar para a microcefalia, salienta a importância de que diversas especialidades médicas se preparem para lidar com as crianças com microcefalia, que precisarão de reabilitação e de acolhimento.

O médico dentro de sua especialidade tem um desejo: “Que a gente possa trazer essa criança para a sociedade com o máximo de reabilitação possível e o apoio psicológico às famílias é fundamental nessa situação difícil”. E que esse desejo seja também o de muitos profissionais de diferentes áreas da saúde. 



 

Dr. Vasco Bravo – Médico especialista em Oftalmologia. Doutorando em Oftalmologia e Ciências Visuais. Membro da Academia Americana de Oftalmologia (AAO), da Associação Panamericana de Oftalmologia (PAAO) e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

 

 


Fontes

ICNM. 1º Congresso Nacional de Microcefalia.

Bebês com microcefalia apresentam problemas de vista. Pernambuco Leia já: pernambuco.ig.com.br/noticias/2016/bebes-com-microcefalia-apresentam-problemas-de-vista

Estudo constata problemas na visão de bebês com microcefalia em PE. G1: g1.globo.com/pernambuco/noticia/2016/02/estudo-constata-problemas-na-visao-de-bebes-com-microcefalia-em-pe.html

Estudo investiga ligação entre microcefalia e alterações nos olhos. Com Pauta: compauta.com.br/estudo-investiga-ligacao-entre-microcefalia-e-alteracoes-nos-olhos

Especialistas da área da saúde precisam se preparar para a microcefalia. Portal Sare: www.sare.com.br/saude-entrevista/especialistas-da-area-da-saude-precisam-se-preparar-para-a-microcefalia

Daiana Barasa