Anvisa alerta: Victoza não tem autorização para ser usado como emagrecedor


Aprovado em Março de 2010 para ser comercializado no Brasil, medicamento tem uso restrito para o tratamento do diabetes 2

A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) veio a público reforçar esclarecimentos a respeito do medicamento Victoza, do laboratório Novo Nordisk, como consequência de matéria publicada na revista Veja, edição número 2.233, 7/9/2001, intitulada “Parece Milagre”. A Agência ainda solicitou à revista Veja a publicação de uma nota como complemento à referida reportagem.
 
A droga “milagrosa” para perda de peso, conforme atesta a reportagem, é considerada pela Anvisa como produto “biológico”, ou seja, trata-se de uma molécula de alta complexidade que contém a substância “liraglutida”. Este medicamento foi aprovado pela Anvisa para ser comercializado no País em março de 2010 e para tratar especificamente do diabetes mellitus tipo, 2 em adultos acima de 18 anos, e não para ser usado com a finalidade de emagrecer.

A Anvisa esclarece que, até o momento, o laboratório fabricante não solicitou a extensão da indicação do produto para qualquer outro fim, mesmo como emagrecedor, e nem apresentou estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do Victoza para redução de peso e tratamento da obesidade. A Anvisa exige a apresentação de estudo clínico Fase III que comprove a eficácia e a segurança em uma nova indicação. A única aprovada atualmente, para este medicamento, é como agente antidiabético.

Pessoas com diabetes tipo 1 ou cetoacidose diabética não podem fazer uso do Victoza, assim como pessoas com doença inflamatória intestinal e/ou gastroparesia diabética. Tal advertência consta na bula, assim como reações comuns ao seu uso, como enjoo e diarreia. Estas reações, segundo dados que constam na própria bula, acontecem em 10% ou mais dos pacientes que utilizam este medicamento, e desaparecem com o tempo.
Hipoglicemia, anorexia, redução do apetite, dor de cabeça, vômito, gases, distúrbios da tireoide, alterações na função renal, pancreatite e gastrite são outras reações comuns.

Por ser um medicamento “biológico novo”, o Victoza, tal como outros medicamentos dessa categoria, precisa cumprir com regras específicas para o registro, tendo acompanhamento quanto ao uso durante os primeiros cinco anos de comercialização.

A Anvisa esclarece que, desde a submissão do pedido de registro a aprovação do medicamento para comercialização e uso no Brasil, fez uma análise extensa e criteriosa de todos os dados clínicos que sustentam a aprovação das indicações terapêuticas do produto contendo a substância liraglutida, através da comprovação de que o perfil de eficácia e segurança do produto é aceitável para indicação terapêutica como antidiabético.

A Agência não reconhece a indicação do Victoza para qualquer outra utilização terapêutica diferente da aprovada. O uso deste medicamento com qualquer outra finalidade, como emagrecimento, por exemplo, representa um  elevado risco para a saúde da população. Fique atento!

Por: AgComunicado