Amigdalite: é possível tratar?


“A amigdalectomia (remoção das amígdalas) é um procedimento que não deve ser banalizado”, alerta o especialista

A amigdalite é uma implicação bastante desconfortável e dolorosa. A Academia Americana de Otorrinolaringologia afirma que praticamente toda criança irá sofrer da doença pelo menos uma vez após os dois anos de idade. As palatinas (conhecidas popularmente como amígdalas) sofrem por infecções virais ou bactérias denominadas de Streptococcus. 

O otorrinolaringologista do Sistema Unimed, Dr. Pedro Geisel, aponta como os principais sintomas da amigdalite a febre, dor intensa na garganta, (podendo irradiar para o ouvido), dor nas articulações, linfonodomegalia cervical ("ínguas no pescoço") e halitose (mau hálito).

“O diagnóstico é eminentemente clínico, através do exame físico do paciente, onde se observa, na cavidade oral, a presença de sinais como hiperemia (vermelhidão), aumento de volume e/ou presença de placas purulentas”, ressalta. 

O especialista afirma que também podem surgir manchas pelo corpo denominadas de petéquias (sinais avermelhados), alterações no aspecto da urina e entre pacientes com febre reumática há riscos de arritmia cardíaca. “Um tipo comum de amigdalite, conhecida por mononucleose, pode vir acompanhada de dores abdominais e aumento de volume do baço e do fígado”, completa. 

Como tratar a amigdalite?

Para tratar os quadros de amigdalite geralmente são indicados gargarejos, medicamentos antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios. O médico recomenda para o trato de agentes bacterianos o uso dos antibióticos associados. A remoção das amígdalas também é uma opção para combater o desconforto, porém essa deve ser analisada pela equipe médica de acordo com as necessidades de cada paciente. 

“A remoção das amígdalas (amigdalectomia) pode ser indicada em casos de amigdalites de repetição que não respondam ao tratamento clinico de prevenção e em pacientes com febre reumática ou outras doenças sistêmicas agravadas por amigdalites de repetição”, recomenda. 

O médico também considera a amigdalectomia (cirurgia de remoção das amígdalas) em casos de crianças que apresentam quadro de ronco, respiração oral, apneia do sono, tumores e amigdalite caseosa (quando a amígdala retêm uma espécie de massa amarelada e de mau cheiro), podendo causar mau hálito. “Neste último caso, a cirurgia pode ser indicada nos casos que não respondam a tratamentos clínicos alternativos e que tragam constrangimento social ao paciente”, completa o especialista. 

Qual a função das amígdalas?

O otorrinolaringologista explica que as amígdalas possuem a função de barrar possíveis infecções, pois atuam junto às células de defesa na produção de anticorpos no combate a manifestação dos agentes infecciosos. 

“A amigdalectomia é um procedimento que deve ter indicações precisas, não devendo ser banalizado. Os casos devem ser estudados e individualizados pelo especialista”, adverte. 

 

Dor frequente na garganta é considerado amigdalite?

É importante não confundir a amigdalite com a faringite, explica o especialista. A inflamação simples da garganta, por exemplo, não atinge as amígdalas, conhecida como faringite. As amigdalites possuem causas variadas e podem se manifestar por vírus, bactérias e fungos relacionados à candidíase. “Geralmente uma simples inflamação de garganta, com dor e hiperemia (vermelhidão), com febre baixa ou ausente, é de origem viral”, ressalta. 

Recomendações para o inverno

Com a queda da temperatura os sintomas de gripes, resfriados e amigdalites podem aumentar. O médico aponta orientações no combate à doença: “Lavar sempre as mãos, usar o antebraço (e não as mãos) para cobrir a face ao espirrar ou tossir, usar agasalhos adequados e procurar deixar os ambientes arejados”, aconselha. 

 

Pesquisadora brasileira encontra benefícios no iogurte para o trato da amigdalite

Vera Fartinato, bióloga, pesquisadora e Dra em Microbiologia participou recentemente de um importante estudo sobre a prevenção das doenças bucais, divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A pesquisadora avaliou a bactéria que era prevalente na área bucal, sendo essa a responsável por proteger a boca contra a manifestação dos agentes infecciosos. 

Após dois anos de estudo na Otago University Vera voltou para o Brasil e deu continuidade à pesquisa. Foi aí que teve a ideia de desenvolver um iogurte acrescido de um novo probiótico capaz de prevenir a amigdalite bacteriana, geralmente tratada com antibióticos que nem sempre solucionam o problema. 

A pesquisadora argumenta que o probiótico utilizado no iogurte é menos agressivo ao organismo e não apresenta efeitos colaterais. O agente atua nas funções dos micro-organismos e nos possíveis hospedeiros, assim combatendo as infecções. Enquanto o iogurte tradicional é ativado nas funções intestinais, Vera descobriu que o leite poderia ser fermentado também por bactérias presentes na boca.

Uma das peculiaridades do iogurte desenvolvido pela pesquisadora está no modo de preparo, pois na bebida comum há os lactobacilos, enquanto no iogurte funcional  existe o agente Streptococcus salivarius, responsável pela fermentação. 

O sabor agradável da bebida é considerado uma excelente alternativa de tratamento, sobretudo para as crianças, as mais acometidas pela doença. Houve grande aceitação entre os estudantes que experimentaram durante os testes realizados nas escolas, afirmam que é tão gostoso, quanto à bebida comum. 

 

 

Participação do Otorrinolaringologista do Sistema Unimed, Dr. Pedro Geisel Santos.

 

Referências:

http://www.milkpoint.com.br/industria/cadeia-do-leite/giro-de-noticias/pesquisadora-desenvolve-iogurte-capaz-de-prevenir-amigdalite-100262n.aspx

http://www.entnet.org/content/tonsillitis

Juliana Rodrigues