A obesidade infantil pode estar relacionada com algumas doenças


Prestar atenção na saúde da criança é essencial

Os índices de obesidade infantil no Brasil e no mundo só aumentam. Vários fatores podem estar relacionados com o desenvolvimento do problema que vão desde os externos (hábitos alimentares e sedentarismo) até fatores relacionados com problemas de saúde.

De acordo com o artigo Obesidade infantil: como podemos ser eficazes? segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade infantil tem crescido na última década, em torno de 10% a 40% na maior parte dos países europeus. O problema pode surgir no primeiro ano de vida da criança, e se torna mais acentuado entre os 5 e 6 anos de idade.

O mesmo artigo destaca que no sistema nervoso central, principalmente na região do hipotálamo, podem ser encontrados sistemas serotonínicos relacionados ao controle do apetite.

A pediatra e endocrinologista infantil, Andreza Juliani, explica que doenças do sistema nervoso central, representam outras causas da obesidade infantil. E que quando a criança começa a comer de forma descontrolada, ganha peso e os pais finalmente levam ao médico, alterações cerebrais poderão ser percebidas, como alguma doença do sistema nervoso central, alguma doença inflamatória, a presença de algum tumor, assim como há casos de crianças que nascem com algum distúrbio no sistema nervoso central:

“No hipotálamo que fica dentro do cérebro, é regulado tanto o quanto o que se come quanto o sentir-se saciado. Temos essa região no cérebro e uma área equilibra a outra. Se alguém comeu bastante, uma mensagem chega ao cérebro que ordenará para que a pessoa pare de comer.”

A especialista esclarece que algumas pessoas podem nascer com alguma doença rara e que o corpo humano possui uma espécie de tecido de gordura que age como um “mensageiro” para o cérebro: “Então quando alguém come, no tecido adipócito, um hormônio chamado leptina faz uma sinalização para o cérebro de que a pessoa está satisfeita e além disso, essa leptina ajuda no gasto energético”.

O estudo Leptina: o Diálogo entre Adipócitos e Neurônios, explica que o tecido adiposo branco é responsável pela maior parte da leptina produzida no organismo e que o hormônio também é produzido em menor quantidade pelo estômago, placenta e tecido adiposo marrom. A leptina tem o poder de modificar a expressão e a atividade de inúmeros peptídeos produzidos no hipotálamo, que regulam o apetite e o gasto de energia.

A endocrinologista infantil alerta que há pacientes que podem apresentar mutação no sistema da leptina, o que quer dizer que são pessoas que não se sentem saciadas. São crianças que já nascem com muita fome e que quando bebês choram praticamente o tempo todo porque querem mamar e ganham muito peso:

“São crianças que nascem com o peso normal, mas na consulta do pediatra de sete, oito meses, o bebê já está muito acima do peso considerado normal. É raríssima essa doença, mas ela também existe, então é importante sempre conversar com o pediatra se for um caso em que a criança está ganhando peso excessivo.”

A especialista também destaca que outra causa da obesidade infantil pode ser o hipertireoidismo, mas no caso da criança, apenas exames podem apontar se existe alguma alteração, já que a criança não conseguiria se observar e relatar alguma alteração que possa estar relacionada com o problema. Em casos em que a criança não apresenta crescimento normal e se encontra acima do peso, é fundamental que os pais procurem um especialista.

“A obesidade por excesso alimentar geralmente não interfere no crescimento. Em casos de dúvidas em relação ao que a criança tem, apenas os exames poderão mostrar se há, inclusive, alguma alteração hipertireoidiana”, explica a pediatra.

Segundo a médica, outra doença que pode estar relacionada com a obesidade é o hipercortisolismo que é caracterizado pelo excesso de cortisol. Este mal está relacionado com o estresse, pessoas que afirmam que ganharam peso por conta de estresse, provavelmente apresentam alguma alteração. O cortisol é conhecido como hormônio do estresse e é importante no corpo, mas em casos em que o nível desse hormônio aumenta desproporcionalmente, podem surgir algumas doenças, como até mesmo, a obesidade: “E além da doença, existem alguns fatores exógenos, como por exemplo, o uso excessivo de corticóides orais, por meio do excesso de xaropes para tosse ou até de pomadas, que podem cursar com a obesidade secundária e aumento do cortisol”.

A médica destaca que a deficiência do hormônio do crescimento também pode causar a obesidade. Trata-se de crianças que nascem bem, mas que de repente começam a apresentar crescimento acelerado: “E às vezes o ganho de peso é desproporcional ao ganho de altura, a criança ganha muito mais peso do que altura”.

Outro problema de saúde destacado pela endocrinologista é a osteodistrofia hereditária de Albright, que é uma doença genética que além da obesidade pode desencadear em alterações ósseas: “Como endocrinologista eu preciso pedir um raio-X, um exame de cálcio para ver se há alguma alteração no metabolismo do cálcio, alterado pela doença".

O que é realmente importante é pensar na saúde da criança e procurar um especialista para um diagnóstico preciso.


Dra. Andreza Juliani – Pediatra e endocrinologista infantil 

Fanpage: www.facebook.com/DRAANDREZAJULIANIGILIO

Site: www.doutoraandreza.com.br


Fontes

Congresso de Alimentação e Hábitos Saudáveis na Infância.

Obesidade infantil: como podemos ser eficazes? Realizado por: Elza D. de Mello; Vivian C. Luft; Flavia Meyer: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572004000400004

Leptina: o Diálogo entre Adipócitos e Neurônios. Realizado por: André B. Negrão; Julio Licinio: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302000000300004

 

Daiana Barasa