As Dificuldades de Implantação das Pesquisas Científicas Médicas


VEja quais são as dificuldades de inserir novos dados das pesquisas científicas nas práticas médicas.

Um grupo de pesquisadores tem oferecido uma análise convincente no jornal dos assuntos de saúde para explicar essa falha. E eles fizeram isso usando métodos tão diferentes da eficácia comparativa quanto uma pesquisa pode ser. Os pesquisadores conversaram com mais de 50 médicos, advogados de pacientes e outros especialistas de saúde, cada um dos quais tinha criado, realizado ou avaliado pesquisas de eficácia comparativa ou ajudado a introduzir os resultados na prática clínica. Durante as entrevistas, eles referiram-se a ensaios de medicamentos para pressão arterial, cirurgia da coluna vertebral, drogas antipsicóticas, dispositivo de ritmo do coração, cateterização do coração e transplante de medula óssea; e então perguntaram por que alguns desses estudos parecem inspirar mudanças duradouras, enquanto outros não.

 

Um punhado de fatores surgiu novamente. Os entrevistados com frequência se referiram ao fato de que muitos destes estudos não tratavam as necessidades reais de práticas dos médicos e pacientes. Por exemplo, um estudo de medicamentos para o tratamento da psicose enfoca as diferenças na eficácia entre as drogas, mas prestadores de cuidados de saúde mentais realmente queriam saber sobre diferenças em segurança. Às vezes, também, conclusões de um estudo exigiam uma mudança tão significativa nas práticas médicas que os médicos e pacientes tinham dificuldade em se adaptar à mudança, como as recentes recomendações contra o uso de medidas do antígeno prostático específico ou PSA, métodos de rastreio para câncer. Outras vezes, os resultados foram tão sutis ou ambíguos, com várias restrições complicadas sobre o que funcionou melhor e quando, que eles simplesmente não foram incorporados em orientações profissionais ou recomendações.

 

Mas talvez a razão mais comum para falhas destes estudos veio em dólares. No atual sistema de saúde, os médicos são recompensados por fazer e encomendar mais. Empresas de dispositivos médicos e farmacêuticos ceifam fortunas das ordens dos médicos, e uma única mudança poderia custar-lhes bilhões.

Henrique Torres