Tipos de conjuntivite e tratamentos


Nem todo olho vermelho é sinal de conjuntivite e nem toda conjuntivite é contagiosa e infecciosa

É difícil encontrar alguém que nunca tenha passado por um quadro de conjuntivite. Os sintomas são fáceis de identificar, mas é importante saber que nem todo olho vermelho é sinal de conjuntivite e nem toda conjuntivite é contagiosa e infecciosa.

A oftalmologista Rosa Maria Graziano explica que, de modo geral, “a conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, uma membrana fina e transparente que recobre a parte interna da pálpebra e a anterior do globo ocular até o limbo corneano (transição entre a córnea e esclera)”.

De acordo com a especialista, as conjuntivites podem ser classificadas sob diversos aspectos, como a apresentação e tempo de evolução - agudas (período de até 3 semanas) e crônicas quando perduram por mais de 3 semanas - e também pelo mecanismo responsável pela inflamação, ou seja, se é de origem alérgica, bacteriana, viral, fúngica e irritativa ou inespecífica.

“O tempo de recuperação depende da etiologia e da intensidade do agente agressor. As virais apresentam um curso mais prolongado podendo em alguns casos durar meses. As bacterianas, alérgicas e irritativas em geral se resolvem em 5 a 10 dias”.

Quais são os sinais de conjuntivite?

Quem já teve conjuntivite conhece bem os sintomas: desconforto ocular, ardor, sensação de areia nos olhos, fotofobia, lacrimejamento e secreção, mas os sintomas também podem variar de acordo com a etiologia.

“As infecções bacterianas podem ser agudas com abundante secreção mucopurulenta ou crônicas  com  pouca  ou  nenhuma secreção, exceto algumas crostas  nos  cílios  pela  manhã. As virais podem acompanhar faringite, coriza, um ou os dois olhos  vermelhos, com  intenso  lacrimejamento  e fotofobia. As alergias frequentemente causam vermelhidão, prurido e secreção aquosa, mas podem se apresentar apenas com olho vermelho e edema de conjuntiva”, esclarece a especialista.

                            

Conjuntivite Aguda Infecciosa Viral:

A oftalmologista explica que a conjuntivite infecciosa viral é causada, mais frequentemente, por adenovírus e herpes simples. Ela apresenta secreção aquosa ou mucoide, edema e hiperemia palpebrais. “As conjuntivites adenovirais podem apresentar membranas conjuntivais que necessitam remoção durante o tratamento ou infiltrados corneanos que podem prejudicar a qualidade de visão. As conjuntivites herpéticas podem apresentar uma grave ceratite (comprometimento corneano) e vesículas em pálpebras e nariz”.

Para o tratamento, a especialista indica compressas frias com soro fisiológico e lágrimas artificiais, sem conservante 6x ao dia por 1 mês.

“Casos mais graves que necessitarem remoção de membranas ou tratamento específico do comprometimento corneano deverão ser avaliados e tratados por oftalmologista. As conjuntivites adenovirais são contagiosas e recomenda-se separar as toalhas, fronhas e objetos de uso pessoal além do afastamento de atividades que requeiram contato pessoal por 7 a 10 dias”.

Conjuntivite Aguda Infecciosa Bacteriana

A conjuntivite aguda infecciosa bacteriana é causada, frequentemente, por microoranismos Staphylococcus e Haemophilus. “A contaminação pode ocorrer de forma exógena (mão e olho) ou endógena por contiguidade da face e pálpebras, nariz e seios paranasais e mais raramente por via hematogênica. Caracterizam-se por apresentar secreção purulenta, papilas conjuntivais, quemose e hemorragia conjuntival”, esclarece a oftalmologista.

Para o tratamento da conjuntivite bacteriana, a especialista indica a limpeza da secreção e compressas frias com soro fisiológico.  Além disso, é necessário o uso de pomadas e colírios antibióticos de amplo espectro, indicados pelo médico. O tratamento pode durar de 10 a 15 dias.

Alergia ocular:

A conjuntivite também pode ser de etiologia alérgica, podendo ser causada por alergia a medicamentos, cosméticos, pólen de flores (sazonal), entre outros agentes alérgenos. Os principais sintomas são quemose, prurido e hipertrofia papilar com ou sem envolvimento corneano. “O tratamento indicado consiste, principalmente, em orientar o paciente a manter-se afastado do alérgeno. O tratamento medicamentoso é feito com anti-histamínico tópico na fase aguda associados a colírio estabilizador da membrana de mastócitos. Já os corticoides, devido a associação de graves efeitos colaterais são indicados somente nos casos graves e seu uso deve ser orientado por oftalmologista”, recomenda.

Como complemento ao tratamento das conjuntivites, algumas recomendações devem ser seguidas:

- Manter os olhos secos e limpos com soro fisiológico;

- Evitar frequentar locais com aglomerações;

- Lavar com frequência o rosto e as mãos, para prevenir o contágio;

- Não esfregar ou "coçar os olhos";

- Evitar o compartilhamento de toalhas, lençóis e fronhas;

- Trocar as fronhas dos travesseiros diariamente, enquanto persistir a crise;

- Não partilhar produtos de beleza ou maquiagem;

- Nunca se automedique.

 

Dra. Rosa Maria Graziano

Doutora em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Presidente do Departamento de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Fontes:

Adan C B D; Mascaro V ; Infecções Oculares in Atualidades-Doenças Externas e Córnea. DEOC-UNIFESP, 2002

Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)

www.saudebemestar.pt/pt/clinica/oftalmologia/conjuntivite/

Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO)

Vanessa Ferreira