Síndrome da Visão de Computador o que é?


O problema pode causar irritação nos olhos e visão embaçada

O constante avanço da tecnologia exige que as pessoas estejam sempre conectadas, seja para trabalhar, se comunicar, se divertir ou socializar. Por outro lado, passar horas em frente à tela do computador pode trazer danos, principalmente para a saúde ocular.

De acordo com dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 70% a 90% da população mundial sente desconfortos visuais ao longo do dia, principalmente após passar algumas horas em  frente à tela de dispositivos tecnológicos.

A Síndrome do Usuário do Computador, um termo originário do inglês, Computer Vision Syndrome, é causada pela má lubrificação dos olhos, sendo uma reação natural do corpo humano devido a atividade ocular estática, na qual reduzimos a frequência do piscar.

“A síndrome do usuário de computador é um grupo de sintomas visuais que ocorre em pessoas que usam o computador por muitas horas diariamente. Esses sintomas estão relacionados ao uso da visão de perto e também ao estresse. Muitos trabalhos têm demonstrado que o uso de terminais de vídeo (computador e outros) está associado a sintomas de cansaço visual e diminuição da taxa de piscamento”, explica a médica oftalmologista e Professora Titular de Oftalmologia da UNICAMP, Keila Monteiro de Carvalho.

De acordo com a especialista, os sintomas são variados, como borramento da imagem, embaçamento, dor nos olhos ou na cabeça, sensação de olhos secos ou irritados, visão turva, olhos vermelhos, queimação nos olhos, lacrimejamento, sensibilidade à luz, ofuscamento e lentidão na mudança de foco. Esse conjunto de sintomas é conhecido pelo oftalmologista como “astenopia”, também chamado de cansaço ocular.

O problema pode piorar quando estamos em um ambiente com ar condicionado ou expostos a poluição, pois a lágrima, que possui a função de lubrificar os olhos, acaba evaporando.

Ainda de acordo com a especialista, pacientes com histórico de estresse e de doenças oculares, como o olho seco, hipermetropia, astigmatismo ou dificuldade para enxergar de perto (presbiopia), são mais vulneráveis a desencadearem o problema, principalmente se não consultarem um oftalmologista regularmente. 

“É importante que o usuário de computador tenha sempre sua refração ocular em dia, pois no caso de erros de refração mesmo pequenos não corrigidos, a visão de perto estará afetada e os sintomas serão piores. Caso a pessoa esteja com seus óculos em dia, sempre há menos predisposição a problemas e sintomas.”

A especialista dá algumas dicas para evitar os sintomas da SVC:

- O uso de telas antirreflexo no monitor previne a reflexão da luz a partir da superfície da tela e daí não ocorre a redução do piscamento.

- O piscar voluntário deve ser recomendado, assim os efeitos da diminuição do piscamento ficam minimizados e evita-se o olho seco.

- Baixos níveis de iluminação ambiental criam condições inadequadas de visualização e também podem causar fadiga ocular. O cansaço ocular pode ser atribuído a variações no estado de adaptação à iluminação, que ocorre quando o leitor desloca o olhar de forma intermitente entre o monitor mais brilhante e o escuro ambiental. Para melhorar essa situação sugere-se que a pessoa aumente a iluminação ambiente para minimizar as diferenças de adaptação do olho, potencialmente reduzindo a fadiga visual. Sugere-se iluminação ambiental entre 75-150 lux no caso dos monitores típicos.

- A distancia de visualização da tela ideal é relacionada à acuidade visual do usuário. No caso da pessoa usar óculos, sabemos que como cada grau tem sua distancia focal, a distância de visualização do vídeo vai depender dessas condições ópticas. Pessoas com visão normal recomenda-se que mantenha a distancia confortável de cerca de 33 a 40cm. Se a pessoa tiver baixa visão essa distancia vai mudar de acordo com os óculos que utiliza.

- Em relação à posição dos olhos em relação à tela, considera-se ideal a pessoa olhar ligeiramente para baixo, com ângulo de cerca de 20graus.

Profa. Dra. Keila Monteiro de Carvalho, médica oftalmologista, Professora Titular de Oftalmologia da UNICAMP e Diretora do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)

Fontes:

Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Revista Veja Bem Edição 06 ano 03/2015

Vanessa Ferreira